10 Animes com Temática Escolar que Vale a Pena Assistir (Pelo Menos Uma Vez)

10 Animes com Temática Escolar. Escola no anime japonês não é apenas cenário. É um estado de espírito. Um espaço onde as histórias podem ser tão simples quanto uma confissão mal dada ou tão pesadas quanto uma vida inteira sendo reexaminada sob luz de néon. Tem uma razão para o gênero nunca sair de moda: todo mundo passou por alguma versão daquilo. Você pode não ter vivido num dormitório com atletas ou resolvido crimes do conselho estudantil, mas reconhece aquela sensação de querer pertencer a algum lugar e não saber bem como fazer isso.

A lista abaixo não é ranking de popularidade — é uma seleção pensada para cobrir o máximo de experiências distintas que o ambiente escolar consegue produzir num anime. De dramas que pesam no peito a comédias que você vai rever três vezes, tem coisa aqui para todos os gostos.

1. Oregairu (Yahari Ore no Seishun Love Comedy wa Machigatteiru, 2013)

Garotas Que Curtem Animes

Se você quer entender o que os animes escolares podem fazer quando abandonam o conforto dos clichês, começa aqui. Hachiman Hikigaya é o tipo de protagonista que a maioria dos animes evitaria: cínico, deliberadamente antissocial e convicto de que relações humanas são, no fundo, teatro. Quando seu professor o obriga a entrar no Clube de Serviços, ele encontra Yukino Yukinoshita — uma garota igualmente impenetrável, igualmente solitária.

O que torna Oregairu diferente não é o romance, embora ele apareça. É a honestidade com que o anime discute por que as pessoas fingem gostar de situações que detestam. Tem diálogos nessa série que parecem coisa de roteiro adulto, não de anime de escola. As três temporadas constroem um arco emocional que a maioria dos dramas live-action levaria dois anos de novela para igualar.

2. Hyouka (Hyouka, 2012)

10 Animes com Temática Escolar – Imagem: Um pouco de Shoujo

Produzido pelo Kyoto Animation a partir dos romances de Honobu Yonezawa, Hyouka é o tipo de anime que você começa esperando um mistério de escola e termina pensando em alguma coisa completamente diferente — sobre ambição, sobre mediocridade, sobre o custo de ser “suficiente”.

Houtarou Oreki é um garoto movido pela conservação de energia: ele faz o mínimo necessário para tudo. Eru Chitanda é o oposto, uma garota que se incendeia de curiosidade pelo menor detalhe. A dinâmica entre os dois dita o ritmo do clube de literatura que frequentam, e cada mistério que resolvem revela mais sobre eles do que sobre o caso. O episódio sete, sozinho, justifica a existência do anime.

3. Clannad (Clannad, 2007)

IGN Brasil

Tem uma regra não escrita entre quem assiste anime há algum tempo: você não fala sobre Clannad: After Story sem avisar as pessoas antes. A primeira temporada, ambientada quase inteiramente na escola, apresenta Tomoya Okazaki e sua relação com Nagisa Furukawa com um tom de comédia suave e drama contido. A Kyoto Animation cuida do visual com aquele capricho que virou assinatura do estúdio.

Mas a parte escolar de Clannad importa porque é ela que constrói tudo que vem depois. Cada amizade que Tomoya forma, cada pequena vitória do cotidiano, é tijolos de uma estrutura que o segundo arco vai usar de uma forma que ninguém esquece. É um dos poucos animes que usa a escola como construção emocional deliberada, não como pano de fundo.

4. Classroom of the Elite (Youkoso Jitsuryoku Shijou Shugi no Kyoushitsu e, 2017)

10 Animes com Temática Escolar – Imagem: Roteiro Nerd

A premissa já é uma provocação: uma escola pública de alto rendimento onde os alunos recebem pontos mensais como moeda interna e as turmas são organizadas por uma hierarquia de meritocracia fria. A Turma D, onde Kiyotaka Ayanokouji foi parar, é o depósito dos rejeitados.

O que o anime faz com isso oscila entre thriller psicológico e jogo de estratégia social. Ayanokouji é um protagonista deliberadamente opaco — e a série vai revelando aos poucos que existe algo inquietante por trás da apatia dele. A segunda e terceira temporadas, lançadas em 2022 e 2023, aprofundam a trama consideravelmente. Para quem gosta da sensação de estar sempre dois passos atrás do protagonista, é uma pedida certeira.

5. GTO — Great Teacher Onizuka (Great Teacher Onizuka, 1999)

IGN Brasil

Eikichi Onizuka tem 22 anos, veio de uma gangue de motociclistas, tem faixa preta de karatê e decidiu se tornar professor porque achou que ia conseguir se aproximar de garotas bonitas. Nenhuma parte disso é mentira, e o anime nunca tenta enfeitar essa motivação inicial.

O que acontece depois é o motivo pelo qual GTO ainda é referência mais de duas décadas depois do lançamento. Onizuka acaba sendo colocado para dar aula numa turma que destruiu todos os professores anteriores, e os métodos que ele usa para ganhar a confiança dos alunos são radicalmente diferentes de qualquer coisa que você vai ver em outros animes do gênero. Ele não é um herói de discurso motivacional. Ele é alguém que entende trauma porque viveu um. Isso muda tudo.

6. Toradora (Toradora!, 2008)

Garotas Que Curtem Animes

Toradora é o benchmark do romance escolar por um motivo simples: ele não trata seus personagens como figuras decorativas do gênero. Ryuuji parece intimidador mas é gentil até demais. Taiga parece impenetrável mas tem um vazio doméstico que o anime expõe com delicadeza.

A premissa — dois alunos ajudando um ao outro a conquistar os melhores amigos do outro — é o tipo de coisa que poderia virar farsa. Aqui vira um estudo sobre como as pessoas usam outras como espelhos para ver o que não conseguem admitir em si mesmas. O arco de Natal do anime, especificamente, é uma das sequências mais bem escritas do gênero. Não porque é surpreendente, mas porque quando chega o momento crucial, você entende que tudo ali sempre apontou para aquela direção.

7. Angel Beats! (Angel Beats!, 2010)

10 Animes com Temática Escolar – Imagem: The Boba Culture

Tecnicamente, a escola de Angel Beats! é um purgatório. Os alunos já morreram e estão presos num limbo com aparência de colégio até resolverem os traumas que os prendem ali. É uma premissa que poderia ser absurda e, de certa forma, é — mas o roteiro de Jun Maeda usa o absurdo como ferramenta para falar sobre luto, sobre vidas interrompidas antes do tempo e sobre o que significa ir embora de verdade.

O anime tem apenas treze episódios e ainda assim consegue dar histórias de origem a personagens secundários que são mais emocionalmente completas do que as de protagonistas em séries de cinquenta episódios. Episódio dez é onde tudo isso se condensa numa cena que o internet chama de “prova que animes fazem as pessoas chorarem sem avisar”.

8. Kakegurui (Kakegurui — Compulsive Gambler, 2017)

Legião dos Heróis

A academia Hyakkaou não tem bullying de corredor. Tem apostas. Os filhos das famílias mais ricas do Japão resolvem a hierarquia escolar num sistema onde você pode perder sua posição social, sua autonomia e sua dignidade em uma mão de cartas mal jogada.

Kakegurui entra nessa lista porque faz algo que poucos animes escolares tentam: usa o ambiente como crítica. A escola aqui é uma metáfora explícita para como riqueza e privilégio perpetuam poder, e o anime tem a coragem de não suavizar isso. Yumeko Jabami, a protagonista, é um caos controlado de adrenalina — e a série tem consciência estética do próprio exagero. Não é realista. Não quer ser.

9. Horimiya (Horimiya, 2021)

Crunchyroll

Kyouko Hori é popular, bonita e eficiente. Izumi Miyamura é silencioso, de óculos, e parece exatamente o tipo de personagem que some do anime depois do episódio dois. Quando os dois descobrem que existe uma versão completamente diferente um do outro fora das grades da escola — Hori cuida dos irmãos em casa, Miyamura tem tatuagens e piercings por todo o corpo — começa um romance que tem o ritmo de uma conversa de madrugada, não de um arco dramático.

Horimiya é incomum no gênero porque o casal assume o relacionamento cedo e o anime passa a maior parte do tempo explorando o que vem depois. Como duas pessoas com vidas completamente separadas dentro da mesma escola encontram um espaço comum. É menos sobre conquistar e mais sobre construir — o que, paradoxalmente, o torna mais bonito.

10. My Hero Academia (Boku no Hero Academia, 2016)

Omelete

A UA High School é uma escola de heróis num mundo onde oitenta por cento da humanidade tem algum tipo de poder sobrenatural. Izuku Midoriya nasceu no vinte por cento restante e mesmo assim decidiu que ia ser o maior herói de todos.

O que prende em My Hero Academia não é a ação, embora as batalhas sejam muito bem animadas, especialmente a partir da terceira temporada com o estúdio Bones no comando. É a estrutura escolar sendo usada de forma séria: aulas, avaliações, estágios, a relação entre professores e alunos como formação de caráter, não apenas de poder. Tem algo genuinamente shonen clássico no núcleo dessa série — a ideia de que o que você faz com o que tem determina quem você é. Com escola, uniforme e tudo mais.

Uma observação antes de fechar: a temática escolar no anime japonês é enorme demais para qualquer lista de dez conseguir cobrir de verdade. Ficaram de fora títulos que merecem menção — Kimi ni Todoke, Sakurasou no Pet na Kanojo, School Rumble, Fruits Basket e, claro, uma dezena de opções mais recentes que estão sendo lançadas agora. Mas se você ainda não assistiu nenhum dos dez acima, esse é um bom começo. Cada um deles faz algo específico muito bem — e juntos, cobrem quase tudo que o gênero é capaz de entregar.

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