10 Curiosidades Sobre Reze de Chainsaw Man. Tem personagens que existem para mover a história. E tem personagens que existem para te machucar de um jeito específico — aquele tipo de dor que só a ficção consegue causar quando faz tudo certo. Reze é o segundo tipo.
O arco dela dura pouco. Menos de vinte capítulos. Mas a densidade emocional e narrativa que Fujimoto comprime nesse espaço é o tipo de coisa que estudantes de roteiro deveriam dissecar. Este artigo não é uma introdução ao personagem. É para quem já leu, já sentiu o peso do final do arco, e quer entender por que aquilo funcionou da forma que funcionou.
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1. O Nome “Reze” Não É Aleatório — É Uma Referência Direta
Reze é inspirada em Rezeda, o nome russo feminino derivado da flor conhecida no ocidente como “mignonette.” Em russo, резеда (rezeda) é uma planta de flores pequenas e discretas com um aroma surpreendentemente forte para seu tamanho. Fujimoto usou isso com intenção: Reze parece menor, periférica, quase inocente — e carrega um impacto que vai além do que a aparência sugere. O nome soa suave. O personagem não é.
2. O Arco Dela Foi Planejado Para Ser um Filme de Amor dos Anos 80
Em entrevistas e comentários de bastidores, ficou claro que Fujimoto modelou o arco da Reze conscientemente sobre a estética dos filmes de romance dos anos 80, especialmente aqueles do cinema soviético e europeu oriental — onde o amor é sempre atravessado por impossibilidade política ou geográfica. A cena da chuva, o café, a lavanderio: cada cenário tem aquela textura granulada de filme antigo. Não é acidente. É citação.
3. Ela É Humana Antes de Ser Arma
Um detalhe que o mangá deixa passar discretamente: Reze foi submetida ao processo de fusão com o Diabo da Bomba ainda criança, em experimentos militares de um país não nomeado (mas inequivocamente baseado na União Soviética). Isso significa que ela existe num estado que nenhum outro Fiend da série compartilha: há uma pessoa humana debaixo da arma. Não é uma criança que virou diabo. É uma criança que foi transformada em projeto.
4. A Lavanderio É o Único Lugar Onde Ela É Real
Preste atenção nos cenários do arco. Reze aparece em espaços públicos, abertos, funcionais — rua, café, escola. Mas a lavanderio automática, onde ela e Denji conversam enquanto esperam a roupa secar, é o único espaço fechado, íntimo e sem função narrativa aparente. Nada acontece ali. E é exatamente por isso que é o único lugar onde os dois existem como pessoas, não como forças em conflito. Fujimoto escolheu esse cenário com cuidado: é um lugar onde adultos ficam parados sem ter o que fazer. É onde a guarda baixa.
5. O Primeiro Beijo Deles Tem Uma Função Dupla Que Parece Cruel em Retrospecto
O beijo de Reze em Denji funciona como detonador — literalmente. A cabeça dele explode. Mas antes de qualquer interpretação sobre manipulação ou traição, existe algo mais sutil: é o primeiro beijo real da vida de Denji. E Fujimoto deixa o leitor sentir o peso emocional daquele momento antes de revelar o que ele significa dentro do plano de Reze. Você não tem tempo de se proteger. O mangá te faz sentir o que Denji sente, e só depois te mostra que você foi manipulado junto com ele.
6. Reze Não Mente Sobre Seus Sentimentos — e Isso Complica Tudo
A leitura fácil do arco é: Reze se aproximou de Denji para matá-lo, portanto tudo que ela demonstrou foi performance. Mas Fujimoto nunca confirma isso. Nos capítulos finais do arco, quando ela poderia simplesmente escapar, ela hesita. Quando recebe a oferta de fugir com Denji, há um momento real de consideração. O mangá não resolve essa ambiguidade — e é essa falta de resolução que torna o arco devastador em vez de apenas trágico. Você não sabe o que ela sentia. E ela provavelmente também não sabia.
7. A Batalha Final Dela Inverte o Papel Tradicional do Herói
Na maioria dos shonens, o protagonista derrota o antagonista no clímax. No arco da Reze, Denji não a derrota — quem acaba com ela são agentes externos (a Makima e os outros caçadores de demônios que interceptam a fuga). Denji chega tarde. Denji perde. Não existe catarse de vitória aqui. Fujimoto quebra deliberadamente a estrutura do arco de batalha shonen para forçar o leitor a sentir a derrota sem a compensação narrativa de uma virada.
8. Ela Compartilha Um Padrão Com Todos os Interesses Românticos de Denji — e Isso É um Comentário
Quem leu além do arco da Reze percebe que Fujimoto estabelece um padrão: toda vez que Denji se aproxima afetivamente de alguém, existe uma camada de instrumentalização envolvida. Power usa a amizade. Makima usa tudo. Reze usa o romance. Não é que Denji seja ingênuo — é que o mangá está dizendo algo sobre como pessoas em situação de privação afetiva extrema são vulneráveis a qualquer forma de atenção, independente do que existe por trás dela. Reze não é uma exceção na vida de Denji. Ela é o padrão tornado visível.
9. O Design Visual Dela É Construído Sobre Contraste

O uniforme escolar, o cabelo preso, a expressão calma: Reze foi desenhada para parecer comum. Fujimoto usa isso ativamente — ela é apresentada num ambiente ordinário (a lavanderio, o intervalo escolar) exatamente porque o contraste com o que ela é capaz de fazer precisa ser máximo. Quando a transformação acontece, o impacto visual funciona porque tudo antes foi construído para ser esquecível. A violência choca mais quando vem do que parecia seguro. Esse princípio é o coração do design do personagem.
10. O Café no Final Do Arco Foi Cogitado Para Ser o Final Real da Série
Isso é especulação documentada dentro da comunidade de leitores do mangá, baseada em declarações vagas de Fujimoto sobre como a história poderia ter terminado mais cedo. A cena onde Reze espera em um café — com a implicação de que ela está aguardando um Denji que não vai aparecer — tem uma qualidade de finalidade que vai além do arco. Parece um final. Parece uma despedida da série inteira, não apenas do personagem. Se Fujimoto estava testando onde a história poderia parar, esse café era um candidato sério.
O Que Faz Reze Ser Diferente dos Outros Antagonistas de Chainsaw Man
Quase todo antagonista de Chainsaw Man opera dentro de uma lógica que o leitor consegue compreender, mesmo sem concordar. Katana Man quer vingança. Quanxi cumpre contratos. Santa Claus quer poder. São motivações funcionais, instrumentais.
Reze é diferente porque sua motivação central permanece em aberto. Ela foi criada como arma, foi enviada com um objetivo, e em algum ponto entre a missão e o fim, algo aconteceu que o mangá deliberadamente recusa a nomear. Fujimoto poderia ter dado uma cena de flashback definitiva. Poderia ter colocado um monólogo interno. Não colocou.
Essa recusa é o que eleva o arco acima de uma história de traição romântica comum. Reze não é a vilã que fingia ser amiga. É algo mais complicado: alguém que pode ter sido ambas as coisas ao mesmo tempo, num curto espaço de tempo, sem jamais conseguir separar uma coisa da outra.
E Denji, que nunca teve vocabulário para processar nada do que sente, vai embora do arco sem entender o que perdeu. O leitor entende. Essa distância entre o que o protagonista consegue ver e o que o leitor consegue ver é onde Fujimoto mora como autor — e o arco da Reze é um dos melhores exemplos disso em todo o mangá.
10 Curiosidades Sobre Reze de Chainsaw Man – Imagem do topo: O Vício

