Por que muitos canais do YouTube de manhwa estão caindo? Nos últimos meses, diversos canais do YouTube dedicados à divulgação de manhwas — os quadrinhos sul-coreanos — têm enfrentado quedas abruptas, bloqueios, desmonetizações e até exclusões completas da plataforma. Para quem acompanha esse tipo de conteúdo, a situação gerou surpresa e preocupação. Afinal, muitos desses canais acumulavam milhares de inscritos e eram fontes constantes de resumos, análises, teorias e recomendações de obras populares como Solo Leveling, Omniscient Reader, Eleceed e outros.
Mas por que tantos canais estão caindo? A resposta envolve uma combinação de fatores legais, políticas de direitos autorais, mudanças no algoritmo do YouTube e ações coordenadas de empresas detentoras dos direitos das obras. Neste artigo, você vai entender os principais motivos por trás dessa onda de derrubadas, os impactos para criadores e fãs, e o que pode ser feito para evitar penalizações futuras.
1. Violação de direitos autorais
O principal motivo para a queda de canais de manhwa é a violação de direitos autorais. Muitos criadores utilizam imagens completas dos capítulos, trechos de diálogos e até traduções não autorizadas em seus vídeos. Embora o conteúdo seja apresentado como “resumo” ou “análise”, o uso extensivo de material protegido sem permissão configura infração.
Editoras como Kakao Entertainment, Naver Webtoon e outras distribuidoras internacionais têm intensificado a fiscalização, enviando notificações de copyright ao YouTube. Quando um canal acumula múltiplas denúncias, ele pode ser desmonetizado ou até removido da plataforma.
2. Operações contra pirataria digital
A repressão à pirataria digital não se limita aos sites de leitura ilegal. Em 2023 e 2024, operações como a “Operação Animes” no Brasil derrubaram dezenas de sites que hospedavam mangás, animes e manhwas sem autorização. Essa ação envolveu empresas como Toei Animation, Bandai Namco e outras gigantes do setor, que passaram a monitorar também canais do YouTube que divulgavam conteúdo derivado dessas obras.
Embora os canais não hospedem os capítulos diretamente, o uso de imagens completas e a divulgação de links para leitura ilegal são considerados formas de pirataria indireta. Isso coloca os criadores em risco, mesmo quando o objetivo é apenas comentar ou recomendar.
3. Mudanças nas diretrizes do YouTube

O YouTube atualiza constantemente suas políticas de conteúdo, especialmente em relação à monetização e uso de material protegido. Em 2025, novas diretrizes passaram a restringir ainda mais o uso de imagens de terceiros, mesmo em vídeos educativos ou informativos.
Canais que antes conseguiam monetizar vídeos com trechos de manhwa passaram a receber avisos de conteúdo impróprio para anúncios. Isso afeta diretamente a renda dos criadores e os obriga a reformular seus formatos.
Além disso, o algoritmo da plataforma passou a priorizar conteúdos originais e com maior tempo de retenção, o que prejudica vídeos curtos e com foco apenas em imagens estáticas.
4. Falta de licenciamento e parcerias
Diferente de canais de anime que conseguem parcerias com plataformas como Crunchyroll ou Netflix, os canais de manhwa raramente têm acesso a licenciamento oficial. Isso significa que qualquer uso de imagem ou trecho de obra pode ser considerado ilegal, mesmo que o criador não tenha intenção de lucrar diretamente com o conteúdo.
Sem respaldo legal, os canais ficam vulneráveis a denúncias e não têm como contestar as penalizações de forma eficaz.
5. Uso de traduções não oficiais
Outro ponto crítico é o uso de traduções feitas por fãs, conhecidas como “scanlations”. Muitos canais utilizam essas versões para comentar capítulos que ainda não foram lançados oficialmente em português ou inglês. Embora populares entre os leitores, essas traduções não têm autorização das editoras e são alvo frequente de denúncias.
Ao exibir essas versões em vídeo, mesmo que parcialmente, o canal incorre em violação de propriedade intelectual, o que pode resultar em strikes ou remoção.
6. Divulgação de links para leitura ilegal
Alguns canais, na tentativa de ajudar os seguidores, acabam divulgando links para sites de leitura não autorizada. Essa prática é considerada infração direta pelas políticas do YouTube e pelas leis de direitos autorais. Mesmo que o link esteja apenas na descrição ou nos comentários, ele pode ser usado como justificativa para derrubar o vídeo ou o canal inteiro.

7. Reutilização excessiva de conteúdo
Canais que utilizam imagens repetidas, trechos de vídeos de outros criadores ou formatos genéricos também são penalizados por “conteúdo reutilizado”. Essa categoria foi ampliada pelo YouTube em 2024 e passou a incluir vídeos que não agregam valor original, mesmo que não infrinjam direitos autorais diretamente.
Isso afeta canais que apenas narram capítulos com imagens estáticas, sem comentários, análises ou edição criativa.
8. Falta de aviso legal e disclaimers
Muitos criadores não incluem avisos legais nos vídeos, como disclaimers sobre direitos autorais, uso justo (fair use) ou intenção educativa. Embora esses avisos não garantam imunidade, eles ajudam a contextualizar o conteúdo e podem ser considerados em disputas de copyright.
A ausência desses elementos torna o canal mais vulnerável a denúncias automáticas e ações judiciais.
9. Crescimento acelerado e visibilidade
Canais que crescem rapidamente e acumulam milhares de visualizações em pouco tempo chamam atenção das editoras e da própria plataforma. Essa visibilidade pode ser positiva, mas também aumenta o risco de fiscalização. Muitos canais pequenos passam despercebidos, enquanto os maiores são monitorados de perto.
10. Falta de conhecimento jurídico
Por fim, muitos criadores não têm conhecimento sobre as leis de direitos autorais, licenciamento e uso de imagem. Isso leva à criação de conteúdo que, embora bem-intencionado, infringe regras básicas. A falta de orientação profissional e jurídica é um dos principais motivos para quedas inesperadas.
A queda de canais de manhwa no YouTube é resultado de uma combinação de fatores legais, técnicos e estratégicos. Para evitar penalizações, é essencial que os criadores busquem formas de produzir conteúdo original, respeitem os direitos autorais e estejam atentos às diretrizes da plataforma.
O futuro dos canais de manhwa depende da adaptação às novas regras, da busca por parcerias legais e da valorização do conteúdo criativo. Para quem acompanha esse universo, apoiar criadores que respeitam as normas é fundamental para manter a comunidade ativa e saudável.
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