Plano de Ataque é um livro escrito pelo piloto amador Ivan Sant’anna e publicado em 2006, pela Editora Objetiva na cidade do Rio de Janeiro, Plano de Ataque trata do atentado terrorista aos Estados Unidos da América em setembro de 2001.
O livro é o resultado de três anos de pesquisas, Ivan Sant´Anna revela a trajetória dos homens que planejaram o ataque e daqueles que seqüestraram os quatro aviões – reconstituindo episódios do drama humano dos terroristas e das vítimas. (Wikipédia)
Eu não sabia nada sobre o livro Plano de Ataque, antes de ouvir sobre ele no canal do jornalista Beto Ribeiro. Também nunca havia estudado mais sobre os atentados de 11 de setembro de 2001, apesar de ter dez anos de idade na época e a lembrança de chegar da escola e ver as imagens terríveis na TV ser bem vívida. Mas como pessoa que ama quase todo tipo de literatura e não dispensar um jornalismo bem escrito, o livro entrou na minha lista e não demorei muito para consegui-lo.

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Já começo dizendo que essa bela obra de Ivan Sant’anna não é tão fácil de começar, pois exige uma boa dose de concentração para lembrar de todos os nomes e fatos, que inicialmente são apresentados e duas linhas do tempo – a de anos antes do atentado, detalhando todo o planejamento da Al-Qaeda, e a rotina de algumas pessoas que fariam parte daquele fatídico dia, pouco antes de tudo acontecer. Somos ao mesmo tempo apresentados aos idealizadores do nefasto projeto e também às vítimas que dele resultaram. Por ser um livro do tipo documentário, os nomes reais dos envolvidos foram utilizados – inclusive dos dezenove terroristas kamikaze e das pessoas de seus círculos de convívio. Em paralelo, temos também os nomes das vítimas e de seus familiares devastados, que colaboraram com a escrita do livro ao detalhar a vida e a rotina de seus entes perdidos. É com esses depoimentos de familiares de vítimas e sobreviventes, documentos oficiais e mais os materiais das caixas-pretas de dois dos aviões sequestrados, que o brasileiro Ivan Sant’anna disseca uma das maiores tragédias do mundo e constrói o fantástico Plano de Ataque – um livro duro, comovente, trágico, e uma verdadeira obra prima.
O atentado ao World Trade Center não foi do dia para noite – foram inacreditáveis nove anos de planejamento e de um treinamento digno de empresa multinacional, antes de a turma encabeçada por Osama Bin Laden agir. Dezenove muçulmanos foram recrutados com cautela, com grande nível de exigência, e a considerável ousadia de fazerem cursos de pilotagem de aviões dentro dos Estados Unidos. A narrativa mostra com detalhes a história de alguns desses pilotos kamikaze , em especial Ziad Jarrah – jovem libanês que era muçulmano pouco praticante, sonhava em ser piloto e vivia uma vida comum ao lado da namorada Aysel Senguen, até ser aliciado pelo pregador Abu Mohamed. É assustador ver o que a manipulação pesada podem fazer com uma pessoa comum e lhe destruir completamente a mente. E apesar do destaque dado a Ziad no livro, dá pra perceber que todos os terroristas envolvidos são como ele: pessoas que perdem completamente a razão, os limites e personalidade própria, devido ao fanatismo.
Mas nada prepara o leitor para a parte mais dura e triste do livro – as histórias de casa vítima, e de seu derradeiro final. Somos apresentados a várias delas, desde pilotos e copilotos dos vôos comerciais sequestrados, passageiros, até trabalhadores dos prédios atingidos e bombeiros e socorristas que pereceram enquanto salvavam vidas. É desesperador ler cada passagem em que passageiros dos aviões, ao se darem conta do sequestro, ligavam em desespero não para a emergência, mas também familiares. E mais triste ainda é perceber que as ligações, inicialmente tentativas de pedir ajuda, mudaram conforme os fatos se desenrolavam e se tornaram despedidas, carregadas de tristeza e conformismo pelo fim que se aproximava. E o mais doloroso da leitura é que, tão acostumados ficamos com aquelas pessoas, que torcemos para que algo acontecesse e mudasse o triste fim, como se lêssemos um livro de ficção. Quando o último avião, que pretendia atingir o Capitólio, tem o andamento de seu sequestro diferente devido a erros de seu piloto (que era justamente Ziad Jarrah) e uma tentativa de motim de seus bravos passageiros, a angústia e a torcida por eles é inevitável. Mas infelizmente, embora o Capitólio tenha sido salvo, o avião foi derrubado pelo próprio Jarrah na Pensilvânia, ao perceber que não conseguiria chegar ao destino pretendido. Ninguém sobreviveu. E aliás, esses passageiros nunca tiveram chance, já que as forças americanas já haviam recebido a ordem para derrubar o avião.
A história do 11 de setembro é cheia de tristes ironias. Muitos passageiros que perderam ou mudaram de vôo por diferentes motivos, e acabaram pegando justamente os que seriam sequestrados; cinco dos futuros sequestradores foram barrados no aeroporto e ainda assim conseguiram embarcar, mesmo portando armas brancas; o fato de o último avião ter caído no solo e matado seus passageiros, mas deixando salvo o Capitólio, que já havia sido evacuado; O jornalista francês que fazia um documentário sobre o corpo de bombeiros e minutos antes do atentado reclamava sobre o dia estar calmo demais (ele se chama Jules Naudet e as gravações dele estão no Youtube, são espetaculares); O bailarino que trabalhava em uma das Torres Gêmeas e fez um pulo de dança justamente no momento do choque do avião, o que o levou a pensar ter sido o culpado pela pane no elevador onde estava (felizmente, ele escapou da torre com vida e sobreviveu, e esse foi um dos meus momentos de maior alívio durante a leitura).
E entre as histórias mais tristes estão a de Todd Beamer, que não quis preocupar a esposa grávida e deixou um recado de despedida para ela em uma ligação para a Companhia Telefônica; e a do Capitão Burke, que morreu enquanto tentava salvar o paraplégico Ed Beyea e o colega dele Abe Zelmanowitz, que se recusara a correr e se salvar sem o amigo. Os três pereceram na queda da Torre Norte do World Trade Center.

Plano de Ataque é um livro que deixa um gosto amargo na boca e faz refletir. Com tantas vidas perdidas, o quão diferente o mundo poderia estar hoje, se as coisas não tivessem acontecido daquela maneira? Ainda no início do livro, ficamos sabendo que Forças Americanas encontraram um suposto esconderijo de Osama Bin Laden poucos anos antes do 11 de setembro e o conselho foi bombardear, mas Bill Clinton não quis dar a ordem e acabar por matar também os inocentes daquela região. Essa, pra mim, foi uma das partes desse pesado livro que mais me fizeram refletir.
Você pode gostar ou não de literatura jornalística. Pode gostar ou não de ler não-ficção. Pode gostar ou não de ler sobre fatos históricos, e obviamente pode gostar ou não dos Estados Unidos e tudo que a nação mais poderosa do mundo representa. Mas é impossível ler Plano de Ataque e passar ileso por ele.

