Durante quatro temporadas, For All Mankind construiu um universo de história alternativa que tinha como premissa central uma pergunta simples e perturbadora: e se a União Soviética tivesse chegado à Lua primeiro? A série respondeu essa pergunta pela perspectiva americana — a NASA em colapso, o orgulho nacional ferido, a corrida espacial que não terminou nos anos 1970. Mas o outro lado dessa história nunca havia sido contado. Star City existe para fechar essa lacuna, e chega ao Apple TV+ em 29 de maio de 2026.
O Que É Star City
Star City é uma série derivada de For All Mankind ambientada dentro do programa espacial soviético. O título vem do nome real do complexo de treinamento de cosmonautas localizado nas florestas às margens de Moscou — o Centro de Treinamento de Cosmonautas Yuri Gagarin, apelidado de Zvyozdny Gorodok, ou Cidade das Estrelas. Era um lugar cercado de segredo durante a Guerra Fria: cosmonautas viviam lá com suas famílias, engenheiros trabalhavam lá por décadas sem mencionar onde, e agentes do KGB circulavam entre todos para garantir que nenhum segredo vazasse.
A série usa essa configuração real como pano de fundo para um thriller paranoico de espionagem. A Apple TV+ descreveu o projeto como um derivado robusto do universo de For All Mankind — não um spin-off no sentido de contar o que aconteceu depois com algum personagem secundário, mas uma história que reposiciona o ponto de vista. O espectador que conhece a série original vai reconhecer os eventos da linha temporal alternativa. A diferença é que desta vez está do lado que ganhou.
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Data de Estreia e Formato
A série estreia no Apple TV+ em 29 de maio de 2026, com os dois primeiros episódios disponíveis simultaneamente. A partir daí, um novo episódio é lançado toda sexta-feira até 10 de julho, totalizando oito episódios na primeira temporada.
Há um detalhe relevante no calendário: a quinta temporada de For All Mankind estreia antes, em 27 de março de 2026, e os primeiros episódios de Star City chegam na mesma data em que o último episódio de For All Mankind 5 é lançado. Não parece coincidência. A Apple TV+ provavelmente planejou esse cruzamento para quem acompanha a franquia tenha a temporada principal no contexto fresco quando entrar no universo soviético.
A Equipe Por Trás da Série
O ponto mais importante sobre Star City do ponto de vista criativo é que ela não foi entregue a uma equipe nova. A série foi criada por Ben Nedivi, Matt Wolpert e Ronald D. Moore — os mesmos criadores de For All Mankind. Nedivi e Wolpert atuam como showrunners e produtores executivos, ao lado de Moore e Maril Davis da Tall Ship Productions.
Ronald D. Moore tem um histórico específico nesse tipo de narrativa. Foi ele quem reformulou Battlestar Galactica nos anos 2000 e transformou o que poderia ser um simples reboot em uma análise política de como sociedades reagem ao colapso. A parceria com Nedivi e Wolpert em For All Mankind produziu uma série que se destacou por levar as consequências históricas a sério. Star City tem a mesma assinatura.
A produção é da Sony Pictures Television para o Apple TV+, a mesma configuração da série original.
Elenco: Nomes e Personagens
O elenco foi montado com uma inclinação clara para atores britânicos e europeus — uma escolha que faz sentido para uma história ambientada atrás da Cortina de Ferro, onde o sotaque americano seria imediatamente fora de lugar.
Rhys Ifans lidera o elenco no papel do Chefe Designer, descrito como a força motriz por trás do programa espacial soviético. Ifans é conhecido do grande público por House of the Dragon, onde interpreta Ser Otto Hightower. O personagem do Chefe Designer tem paralelo histórico real — na União Soviética da era espacial, o cargo equivalente pertenceu a Sergei Korolev, um engenheiro que trabalhou no anonimato total durante décadas, com sua identidade mantida em segredo pelo próprio Estado soviético.
Anna Maxwell Martin, de Motherland, interpreta Lyudmilla, chefe do departamento de vigilância do KGB em Star City. Não é uma personagem de apoio — em uma narrativa sobre paranoia institucional, quem controla a vigilância controla a narrativa.
O restante do elenco confirmado inclui Agnes O’Casey (Black Doves), Alice Englert (Bad Behaviour), Solly McLeod (House of the Dragon), Adam Nagaitis — que parte do público vai lembrar de Chernobyl, a série da HBO que abriu o apetite por produções sobre falhas sistêmicas soviéticas —, Ruby Ashbourne Serkis, Josef Davies (Andor) e Priya Kansara (Bridgerton).

O Que Esperar da Narrativa
For All Mankind funcionou porque nunca tratou a corrida espacial como um cenário. Tratou como um ambiente onde pessoas reais tomavam decisões com consequências reais — casamentos se desfaziam, carreiras eram destruídas, astronautas morriam por escolhas burocráticas. O drama humano vinha primeiro, e a ficção científica alternativa era o contexto.
Star City parte do mesmo princípio, mas com uma camada adicional de tensão: o Estado soviético não é apenas o pano de fundo. É um personagem ativo. Cosmonautas viviam sob vigilância constante. Engenheiros que cometessem erros podiam desaparecer. O KGB estava fisicamente presente no centro de treinamento, documentando comportamentos, filtrando correspondências, avaliando lealdade. Isso cria um tipo diferente de pressão dramática — não o herói contra o universo, mas o herói dentro de uma estrutura que pode esmagá-lo a qualquer momento por razões que nada têm a ver com competência técnica.
A premissa da série coloca o espectador no ponto exato onde a União Soviética acabou de vencer a corrida para a Lua na linha temporal alternativa. Em vez de celebração, o que a série promete mostrar é o que vem depois: a paranoia de manter a vantagem, a pressão de continuar ganhando, e o custo humano de uma vitória que o próprio Estado não pode divulgar completamente porque revelar os detalhes significaria revelar os segredos.
A Relação com For All Mankind
Uma dúvida razoável para quem ainda não assistiu à série original: dá para entrar direto em Star City? Pelos criadores, a resposta é sim — a série foi desenvolvida para funcionar de forma independente. Mas quem conhece For All Mankind vai ter uma camada adicional de contexto, já que os mesmos eventos históricos alternativos aparecem dos dois lados.
Para quem já assiste à série original, Star City promete funcionar como espelho. Cenas que em For All Mankind eram mostradas pela reação americana agora podem ganhar a versão soviética, com motivações e pressões completamente diferentes. É o tipo de expansão de universo que raramente funciona porque exige consistência narrativa muito precisa — e nesse caso, os mesmos criadores estão no controle dos dois lados.
Ficha Técnica
- Título: Star City
- Plataforma: Apple TV+
- Data de estreia: 29 de maio de 2026
- Episódios: 8 (lançamento semanal até 10 de julho de 2026)
- Criadores: Ronald D. Moore, Ben Nedivi, Matt Wolpert
- Showrunners: Ben Nedivi e Matt Wolpert
- Produção: Sony Pictures Television para Apple TV+
- Protagonista: Rhys Ifans (Chefe Designer do programa espacial soviético)
- Elenco principal: Anna Maxwell Martin, Agnes O’Casey, Alice Englert, Solly McLeod, Adam Nagaitis, Ruby Ashbourne Serkis, Josef Davies, Priya Kansara
For All Mankind demorou para ser descoberta pelo público mais amplo, mas construiu uma base de fãs que a acompanha com atenção precisamente por levar a sério o que outras séries de ficção científica ignoram: a política, os custos, as falhas de caráter que aparecem quando a pressão é alta o suficiente. Star City herda essa proposta e adiciona uma perspectiva que o espectador ocidental raramente vê tratada com este nível de seriedade — a do outro lado, que também tinha pessoas que acreditavam no que faziam, e que também pagaram preços que ninguém documentou direito.
Imagem do topo: UPROXX

