Como Ajudar Minas Gerais Após as Chuvas de Fevereiro de 2026. Entre o fim da tarde de 23 de fevereiro e a madrugada do dia 24, a Zona da Mata mineira foi engolida pela água. Juiz de Fora e Ubá concentraram o pior da tragédia: deslizamentos que desceram morros inteiros, enxurradas que arrastaram carros em avenidas, casas que caíram sobre outras casas. Até o dia 27 de fevereiro, a Defesa Civil contabilizava 81 mortes no atual período chuvoso — o mais letal dos últimos vinte anos em Minas Gerais. Mais de 5.500 pessoas estão desalojadas. Outras centenas dormem em abrigos improvisados em escolas públicas.
Se você chegou até aqui querendo ajudar, este artigo vai direto ao ponto: o que doar, para onde enviar, como fazer um Pix com segurança e o que evitar para que sua doação de fato chegue a quem precisa.
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O Que Está Acontecendo em Números
A chuva que caiu sobre Juiz de Fora em menos de 24 horas superou a média histórica do mês inteiro. O relevo da região — morros densamente ocupados, encostas sem contenção, margens de rios habitadas há décadas — transformou o volume de chuva em colapso. O resultado não é apenas tragédia climática. É também o produto de anos de desinvestimento: segundo o Portal da Transparência do Estado, o governo de Romeu Zema reduziu os gastos com o Programa de Combate aos Danos Causados pelas Chuvas de R$ 134 milhões em 2023 para menos de R$ 6 milhões em 2025 — uma queda de 95%.
Juiz de Fora, que concentrou a maior parte das mortes, usou apenas 16,5% da verba federal disponível para contenção de encostas via PAC. Dos R$ 70,2 milhões previstos, apenas R$ 11,5 milhões chegaram às obras. Enquanto isso, cerca de 25% da população da cidade vive em áreas classificadas como de risco.
Esses números explicam por que a chuva de fevereiro de 2026 matou mais do que qualquer outra nos últimos vinte anos. Mas não é sobre isso que você pode fazer algo agora. O que está ao alcance é a ajuda concreta às pessoas que perderam tudo na semana passada.

O Que Está Faltando Nos Abrigos
A orientação dos pontos de coleta nas duas cidades mais afetadas é clara: prioridade total para itens de primeira necessidade. Não é hora de mandar roupas de festa nem eletrônicos usados que você não quer mais em casa. O que os abrigos precisam agora:
Alimentação e hidratação: água mineral em garrafas (especialmente de 500ml e 1,5l), alimentos não perecíveis como arroz, feijão, macarrão, leite em caixinha, fórmula infantil, biscoito salgado, sardinha enlatada, óleo de cozinha, açúcar e sal.
Higiene pessoal: sabonete, shampoo, condicionador, creme dental, escova de dente, desodorante, absorvente, fralda descartável para bebês e adultos, papel higiênico, álcool gel.
Materiais de limpeza: água sanitária, detergente, desinfetante, rodo, vassoura, pá de lixo, luva de borracha, saco de lixo.
Cama e conforto: colchão (mesmo de solteiro), cobertor, travesseiro, lençol, toalha de banho. Muitas pessoas saíram de suas casas com a roupa do corpo e não têm mais onde dormir.
Roupas e calçados: aceitos, desde que em bom estado, limpos e adequados ao clima quente do verão mineiro. Roupas infantis têm alta demanda.
Onde Entregar as Doações Presencialmente
Em Juiz de Fora, a prefeitura montou 24 pontos de coleta espalhados por todas as regiões da cidade. Os principais são:
- Sede da Prefeitura de Juiz de Fora (Av. Rio Branco, 2001 — Centro)
- Escola Municipal Murilo Mendes (Alto do Grajaú)
- Escola Municipal Professor Nilo Camilo
- Casa da Mulher Mineira
- Shopping centers e redes de supermercados credenciados (confirme atualização no site da prefeitura)
Em Ubá, as doações são recebidas em três locais:
- Sede da Guarda Municipal de Ubá
- Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social
- Câmara Municipal de Ubá
Se você está em outra cidade de Minas Gerais ou em outro estado, muitas prefeituras e organizações locais já montaram pontos de arrecadação para enviar coletivos até a Zona da Mata. Vale checar com a prefeitura da sua cidade ou com grupos de voluntários no WhatsApp e Instagram da sua região.
Como Fazer Pix com Segurança
Essa é a parte que exige atenção. Toda vez que um desastre grande acontece no Brasil, golpistas criam chaves Pix falsas e pedem doações em nome das vítimas. Não caia. Use apenas os canais oficiais abaixo:
Prefeitura de Juiz de Fora Chave Pix (e-mail): contribua@pjf.mg.gov.br
Prefeitura de Ubá Consulte a chave no site oficial: uba.mg.gov.br ou no perfil verificado da prefeitura nas redes sociais.
Servas (Serviço de Voluntariado Social) Os valores enviados ao Servas são convertidos em cartão humanitário, que permite às famílias comprar água e alimentos de acordo com a necessidade real de cada momento. É uma das formas mais eficientes de doação em dinheiro porque não depende de logística de transporte.
Banco do Brasil — Fundação Banco do Brasil A instituição anunciou uma doação inicial de R$ 200 mil e está operando como canal de arrecadação. Consulte o site oficial do BB para a chave validada.
Campanha SOS Minas Gerais (Fenae/Apcefs) Pix via CNPJ: 34.267.237/0001-55 (Federação Nacional das Associações do Pessoal da CEF — Movimento Solidário)
Desconfie de qualquer chave Pix enviada por mensagem de pessoas desconhecidas, mesmo que a conversa venha de um grupo de WhatsApp com aparência legítima.
Se Você Quer Ajudar Mas Não Pode Ir Até Lá
Nem todo mundo tem condições de se deslocar até Juiz de Fora ou Ubá. Isso não impede que sua ajuda chegue até lá.
Doe dinheiro em vez de objetos. Parece contraditivo, mas em termos de eficiência logística, o dinheiro é mais útil do que uma caixa de sapatos cheia de mantimentos. Com dinheiro, as organizações compram exatamente o que está faltando, na quantidade certa, no momento certo. Evita também o acúmulo de doações duplicadas que congestionam os pontos de arrecadação.
Amplifique nas redes sociais. Compartilhar os canais oficiais de doação tem impacto real. Muita gente quer ajudar mas não sabe como. Um post com as chaves Pix verificadas e os pontos de coleta pode gerar dezenas de doações a mais.
Ajude quem está organizando a logística local. Grupos de voluntários em Juiz de Fora e Ubá estão coordenando transporte de doações, triagem de mantimentos e distribuição nos abrigos. Se você tem tempo livre e recursos para se deslocar, entrar em contato com esses grupos diretamente — pelo Instagram das prefeituras ou por centrais de voluntariado — é uma das formas mais eficientes de ajuda presencial.
O Saque Calamidade do FGTS
Quem trabalha com carteira assinada e reside em Juiz de Fora, Ubá ou Matias Barbosa tem direito ao saque calamidade do FGTS, autorizado pela Caixa Econômica Federal. O valor máximo é de R$ 6.220 por conta, desde que haja saldo disponível e não tenha sido feito outro saque por calamidade nos últimos 12 meses.
O pedido pode ser feito diretamente pelo aplicativo FGTS, sem necessidade de ir a uma agência. A Caixa também está operando com um caminhão-agência para atendimento emergencial na região.
O Que Vem Depois Das Doações
A fase de emergência dura semanas. A fase de reconstrução dura anos.
Quem acompanhou o Rio Grande do Sul sabe disso: seis meses depois das enchentes de 2024, havia cidades ainda sem luz, famílias ainda em abrigos, bairros inteiros sem saneamento básico. Minas Gerais vai enfrentar o mesmo ciclo. O governo federal estuda aplicar em Minas os mesmos instrumentos usados no Rio Grande do Sul, incluindo o programa Compra Assistida vinculado ao Minha Casa, Minha Vida — Reconstrução.
Mas enquanto os programas federais levam meses para chegar às famílias, as organizações locais e os grupos de voluntários são os que sustentam a reconstrução do dia a dia. Guardar o contato das entidades que você doou agora para voltar a contribuir em três, seis ou doze meses — quando a mídia já tiver seguido em frente — é um gesto que faz diferença real na vida de quem ficou para trás.
Minas Gerais tem 306 municípios em risco de deslizamentos, enxurradas e inundações. 1,5 milhão de pessoas vivem nessa condição de vulnerabilidade. Fevereiro de 2026 foi uma semana. A exposição ao risco é permanente. Ajudar agora é urgente. Não esquecer depois é o que muda alguma coisa de verdade.
Como Ajudar Minas Gerais Após as Chuvas de Fevereiro de 2026 – Imagem do topo: Info Money

