20 Curiosidades sobre “Uma Batalha Após a Outra”. Paul Thomas Anderson levou quase 30 anos de carreira para chegar lá. Na noite de 15 de março de 2026, no Dolby Theatre em Los Angeles, ele subiu ao palco três vezes — e “Uma Batalha Após a Outra” saiu com seis estatuetas, incluindo a mais importante da noite. Mas por trás dessa vitória existe uma história bem mais longa, com um romance dos anos 1990, uma parceria musical de décadas e um discurso que virou o momento mais comentado da cerimônia.
Aqui estão 20 coisas sobre o filme que vale saber.
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1. O roteiro ficou 20 anos na gaveta
Paul Thomas Anderson começou a adaptar Vineland, de Thomas Pynchon, no início dos anos 2000. O projeto parou, voltou, mudou de forma e só chegou às telas em 2025. Muita coisa no roteiro foi reescrita à medida que o mundo mudou — e, segundo o próprio diretor, o filme que existe hoje não tem quase nada a ver com o que ele tinha em mente lá atrás.
2. É baseado em um livro que a maioria das pessoas não conseguiu terminar
Vineland (1990), de Thomas Pynchon, é famoso por ser ao mesmo tempo fascinante e quase ilegível para quem não está acostumado com o estilo caótico do autor. O romance fala de ex-radicais dos anos 1960 vivendo sob a sombra do governo Reagan — e Anderson pegou esse esqueleto para contar uma história sobre imigração, vigilância e resistência na América de hoje.

3. Paul Thomas Anderson tem 14 indicações ao Oscar — e só ganhou agora
Ao longo da carreira, Anderson acumulou indicações por Boogie Nights (1997), Magnólia (1999), Sangue Negro (2007), Vício Inerente (2014), Trama Fantasma (2017) e Licorice Pizza (2021). Na noite do Oscar 2026, ele ganhou três de uma vez: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado.
4. A comparação com Kubrick e Hitchcock deixou de ser válida
Durante anos, críticos usavam o nome de Anderson ao lado de Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock para falar de grandes diretores que o Oscar nunca reconheceu. Ele encerrou essa conversa de vez.
5. O discurso virou o momento da noite
Ao receber o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, Anderson disse: “Escrevi este filme para os meus filhos, como um pedido de desculpas pela bagunça que deixamos neste mundo que estamos lhes entregando.” A frase foi direto ao coração de quem assistia — e resumiu melhor do que qualquer resenha o que o filme quer dizer.
6. Sean Penn ganhou, mas não foi à cerimônia
Penn levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo papel do vilão Coronel Steven J. Lockjaw — e não apareceu para buscar. Não foi surpresa para quem acompanha sua relação historicamente turbulenta com a Academia. Em 2022, ele entregou uma de suas estatuetas anteriores ao presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, sugerindo que o prêmio fosse fundido e transformado em balas.
7. O vilão é uma das criações mais perturbadoras do cinema recente
O Coronel Lockjaw, de Sean Penn, começa parecendo um exagero cômico e termina como uma das figuras mais inquietantes dos últimos anos no cinema americano. A crítica destacou que o personagem funciona porque Penn nunca tenta torná-lo simpático — ele é simplesmente o que é, do começo ao fim.
8. Teyana Taylor quase roubou o filme de DiCaprio
A cantora e atriz Teyana Taylor interpreta Perfidia Beverly Hills, a líder revolucionária que dá a partida na história. Ela foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e, segundo vários críticos, entregou a performance mais eletrizante do filme — o que é muita coisa num elenco com DiCaprio, Sean Penn e Benicio del Toro.
9. Jonny Greenwood fez a trilha pela sexta vez
O guitarrista do Radiohead e compositor Jonny Greenwood colabora com Anderson desde Sangue Negro (2007). “Uma Batalha Após a Outra” marcou a sexta parceria entre os dois. A trilha é descrita por críticos como quase onipresente — em algumas cenas, ela praticamente nunca para, criando uma sensação de urgência que divide opiniões mas que claramente foi uma escolha deliberada.
10. O filme custou US$ 175 milhões e foi rodado em IMAX
É incomum para um projeto de Anderson, que costuma trabalhar com produções mais contidas. A escala de “Uma Batalha Após a Outra” destoa de filmes anteriores como Licorice Pizza e Trama Fantasma — e foi exatamente essa mudança de registro que, segundo analistas, ajudou a anular as resistências habituais da Academia ao seu trabalho.
11. A abertura começa com uma operação de resgate em Otay Mesa
O filme abre com o grupo revolucionário French 75 libertando imigrantes de um centro de detenção na fronteira Califórnia-México. É uma das sequências mais elogiadas do longa — tensa, politicamente carregada e filmada com uma clareza que poucos diretores conseguiriam manter.
12. DiCaprio interpreta um ex-revolucionário paranoico e drogado

Bob Ferguson, o personagem de Leonardo DiCaprio, não é exatamente um herói. Ele vive isolado, frequentemente sob efeito de substâncias, e volta à ativa só porque a filha adolescente (Chase Infiniti) foi sequestrada pelo inimigo que ele achava ter deixado para trás. Vários críticos compararam o papel ao Dr. Randall Mindy de Não Olhe para Cima, outra interpretação de DiCaprio em modo de colapso.
13. Chase Infiniti foi a grande revelação do elenco
A jovem atriz que interpreta Willa, a filha de Bob, era praticamente desconhecida antes do filme. Sua performance em cativeiro — enquanto descobre verdades dolorosas sobre o pai — foi citada em várias análises como um dos momentos mais genuinamente emocionantes do longa.
14. O filme foi comparado simultaneamente aos irmãos Coen e a Hitchcock
Críticas mencionaram Fuga à Meia-Noite (1988) pelo tom de comédia nervosa, Guerra Civil (2024) pela gravidade política e Hitchcock pela construção de suspense na sequência final. Raramente um único filme é colocado em tantas genealogias ao mesmo tempo — o que diz algo sobre como Anderson mistura referências sem que o resultado pareça imitação.
15. A sequência final na estrada é o clímax mais comentado
Sem entregar detalhes: a perseguição que fecha o filme usa literalmente a topografia do cenário — subidas, descidas, curvas — para criar tensão. É o tipo de sequência de ação que funciona porque você se importa com quem está em perigo, não porque tem explosões.
16. O título é uma tradução direta de uma frase de Pynchon
“One battle after another” aparece no romance Vineland como uma descrição da vida dos personagens — a ideia de que a luta nunca termina, que cada vitória traz consigo um novo problema. Anderson manteve essa filosofia como espinha dorsal do filme.
17. Foi o segundo filme mais indicado do Oscar 2026, com 13 nomeações
Só perdeu para Pecadores, de Ryan Coogler, que bateu o recorde histórico de indicações com 16 (superando La La Land, Titanic e A Malvada). No fim, “Uma Batalha” ganhou mais estatuetas: seis contra quatro de Pecadores.
18. Pecadores quase virou o jogo no último momento
Ryan Coogler e o elenco de Pecadores ganharam força no final da temporada, especialmente depois que Michael B. Jordan levou o Oscar de Melhor Ator. Muitos analistas reviram as previsões nas semanas finais. No fim, não foi suficiente para mudar o resultado — mas foi a disputa mais acirrada da noite.
19. O filme chegou aos cinemas brasileiros antes do Oscar
“Uma Batalha Após a Outra” estreou no Brasil ainda em 2025, disponível também via HBO Max e Prime Video (aluguel). Isso significa que boa parte do público brasileiro já tinha opinião formada sobre o filme antes da cerimônia — o que gerou debates acalorados nas redes sobre se ele merecia ou não o prêmio principal.
20. Anderson escreveu o roteiro junto com o próprio Thomas Pynchon
Diferente do que acontece na maioria das adaptações, Pynchon — escritor famoso por nunca aparecer em público e por raramente ceder os direitos de suas obras — participou ativamente do roteiro. O crédito de roteiro vai para os dois. É uma das colaborações mais improváveis da história recente do cinema americano, entre um dos diretores mais cultuados de Hollywood e um dos escritores mais herméticos da literatura norte-americana.
“Uma Batalha Após a Outra” não é o tipo de filme que agrada todo mundo — é longo, barulhento, politicamente incômodo e às vezes deliberadamente difícil. Mas é exatamente por isso que a vitória no Oscar faz sentido: Anderson fez um filme sobre o presente sem tentar suavizá-lo. E a Academia, pelo menos nessa noite, reconheceu isso.
Imagem do topo: Rolling Stone Brasil

