Celulares que deixarão de ser compatíveis com o WhatsApp a partir de agosto. A Meta confirmou que, a partir de agosto, o WhatsApp vai parar de funcionar corretamente em uma leva de celulares antigos. Não é um boato passado de grupo em grupo: a empresa já atualizou os requisitos mínimos do aplicativo, e quem tem um aparelho com sistema operacional desatualizado vai sentir a diferença aos poucos, até o app parar de abrir de vez.
Se você guarda conversas antigas, fotos de família ou grupos de trabalho num celular mais velho, vale parar dois minutos e ler até o final. Backup não se faz depois que o problema já apareceu.
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Por que o WhatsApp está cortando esses aparelhos
O motivo oficial dado pela Meta é técnico, não comercial. O aplicativo precisa rodar bibliotecas de criptografia mais recentes, suportar chamadas de vídeo em grupo com qualidade melhor e abrir espaço para recursos que estão sendo testados, como as ferramentas de inteligência artificial dentro dos chats. Sistemas operacionais muito antigos simplesmente não têm as APIs necessárias para isso — não é uma questão de “o WhatsApp não quis mais”, é que o Android 4 ou o iOS 12, por exemplo, não conseguem executar certas rotinas de segurança que o app passou a exigir.
Isso já aconteceu antes. Todo ano, uma nova faixa de aparelhos cai fora da lista de compatibilidade, porque a Meta segue empurrando o piso técnico para cima conforme o aplicativo evolui. A diferença de agora é o tamanho do corte: ele afeta praticamente qualquer smartphone com mais de dez anos de estrada, incluindo modelos que ainda são usados por muita gente como celular reserva ou “celular dos pais”.
Qual é o requisito mínimo agora
Para continuar recebendo atualizações e funcionando sem instabilidade, o celular precisa ter:
- Android 5.0 (Lollipop) ou superior, no caso de aparelhos com sistema do Google
- iOS 15.1 ou superior, no caso de iPhones
Quem tem um Android abaixo da versão 5.0 ou um iPhone que não recebe mais atualização até o iOS 15.1 vai começar a notar problemas. E aqui vale um detalhe que muita gente ignora: não é só a versão do sistema que conta. Alguns aparelhos tecnicamente “podem” instalar uma versão mais nova do sistema operacional, mas o processador é fraco demais para rodar o WhatsApp atualizado sem travar, fechar sozinho ou consumir a bateria em poucas horas.
Os modelos mais afetados
Entre os aparelhos que ficam de fora estão nomes que marcaram época e ainda circulam em bolsos e gavetas Brasil afora:
Samsung
- Galaxy S3
- Galaxy S4 e Galaxy S4 Mini
- Galaxy Note 2
- Galaxy Core
- Galaxy Trend e Trend Lite
- Galaxy Ace 2
Apple
- iPhone 5 e iPhone 5c
- iPhone 6 (nas versões que não foram atualizadas até o iOS 15.1)
Motorola
- Moto G de primeira geração
- Linha Motorola Razr mais antiga
Sony
- Xperia Z
- Xperia Z1
LG
- Linha Optimus
Outras marcas
- Aparelhos HTC e Huawei lançados antes de 2015, principalmente os que rodam Android 4.x de fábrica
Essa lista não é fixa e definitiva — a Meta costuma divulgar atualizações periódicas conforme identifica outros modelos que não sustentam mais o app com estabilidade. O ponto em comum entre todos eles é a mesma coisa: sistema operacional travado numa versão antiga porque o fabricante parou de lançar atualizações para aquele hardware.
Como saber se o seu celular está na lista de risco
Esquece a marca e o modelo por um segundo. O jeito mais direto de saber se você vai ser afetado é checar a versão do sistema operacional instalado, não o nome do aparelho.
No Android: Vá em Configurações > Sobre o telefone > Versão do Android. Se aparecer um número abaixo de 5.0, o problema é questão de tempo.
No iPhone: Vá em Ajustes > Geral > Sobre. Se o seu iPhone não consegue atualizar até o iOS 15.1 (o próprio sistema avisa quando não há mais atualização disponível), ele está na zona de corte.
Se o seu aparelho ainda recebe atualizações do fabricante e simplesmente não foi atualizado, o problema tem solução rápida: atualize agora, antes que o suporte acabe de vez.
O que acontece com quem não trocar de aparelho a tempo
A Meta não desliga o aplicativo de um dia para o outro — o processo é gradual, o que dá uma falsa sensação de segurança para quem prefere adiar a troca. Veja como costuma funcionar na prática:
- Primeira fase: o app para de aparecer nas atualizações da Google Play Store e da App Store. Quem já tem o WhatsApp instalado continua usando, mas fica preso numa versão congelada.
- Segunda fase: começam os problemas de login e de sincronização. Enviar mensagem funciona, mas ligações de voz e vídeo passam a falhar ou cair.
- Terceira fase: o aplicativo simplesmente para de abrir, ou trava na tela de carregamento. Nesse ponto, sem um sistema operacional compatível, não tem mais volta — só trocando de celular mesmo.
Entre a primeira e a última fase pode levar semanas ou meses, dependendo do modelo. Por isso o alerta chega com antecedência: dá tempo de se organizar sem perder nada.
Como fazer backup antes que seja tarde

Isso aqui é o passo que mais gente esquece até ser tarde demais. Antes de qualquer coisa, faça o backup das conversas:
- No Android, vá em Configurações > Conversas > Backup de conversas e escolha salvar no Google Drive.
- No iPhone, vá em Configurações > Conversas > Backup de conversas e escolha o iCloud.
Depois de feito o backup, ao instalar o WhatsApp num celular novo e fazer login com o mesmo número, o próprio app pergunta se você quer restaurar o histórico salvo. Sem esse passo, trocar de aparelho significa perder fotos, vídeos e conversas de anos de uma vez só.
Vale também exportar conversas específicas — grupos de família, negociações de trabalho, combinados importantes — em PDF ou arquivo de texto, direto pelo menu de cada conversa, como camada extra de segurança.
Vale a pena tentar “forçar” o WhatsApp a continuar funcionando
Existem versões modificadas do aplicativo que prometem rodar em sistemas operacionais antigos, mas o risco não compensa. Esses APKs não passam pelas verificações de segurança da Meta, abrem brecha para vazamento de dados e, em boa parte dos casos, nem funcionam de forma estável. Se o celular não atende ao requisito mínimo, o caminho mais seguro é migrar o número para um aparelho compatível, mesmo que seja um modelo de entrada.
Perguntas que sempre aparecem sobre esse assunto
Perco o número se o WhatsApp parar de funcionar no meu celular? Não. O número fica vinculado à sua conta, não ao aparelho. Assim que você instala o app num celular compatível e confirma o código por SMS ou ligação, tudo volta a funcionar normalmente, desde que o backup tenha sido feito antes.
Dá para usar o WhatsApp Web se o celular parou de abrir o app? Só por um tempo limitado. O WhatsApp Web depende de uma sincronização periódica com o aplicativo no celular, então se o app parar de funcionar por completo no aparelho principal, a versão web também deixa de atualizar as conversas.
Um celular usado ou seminovo entra nesse corte? Depende exclusivamente da versão do sistema operacional que ele roda, não da idade em anos de fabricação. Um aparelho de 2016 que ainda recebe atualização até Android 8 ou 9, por exemplo, não é afetado. Já um lançamento de 2014 travado no Android 4.4 sim.
Existe aviso dentro do próprio aplicativo antes do bloqueio? Sim. A Meta costuma enviar uma notificação dentro do chat avisando que aquele modelo está perto de ficar incompatível, geralmente com semanas de antecedência antes da última atualização disponível para o aparelho.
O que fazer agora
Se depois de checar a versão do sistema você descobriu que seu celular vai ficar de fora, o roteiro é simples: faça o backup hoje, não deixe para a última semana; verifique se o número pode ser transferido para outro aparelho da casa enquanto você não compra um novo; e, se for comprar um celular novo, dê preferência a modelos que ainda recebem atualização de sistema garantida por pelo menos três anos — isso evita passar pelo mesmo aperto de novo daqui a pouco tempo.
Imagem do topo: RO Acontece


