A palavra “mansplaining” aparece com frequência em discussões sobre comportamento, trabalho e relacionamento entre homens e mulheres. Apesar de ser bastante utilizada nas redes sociais, muita gente ainda não sabe exatamente o que ela significa.
Mansplaining acontece quando um homem explica algo a uma mulher de maneira condescendente, partindo do pressuposto de que ela sabe menos sobre o assunto — mesmo quando não existe motivo para pensar isso ou quando ela possui mais conhecimento e experiência do que ele.
Mas será que toda explicação dada por um homem a uma mulher é mansplaining? A resposta é não. Para entender o conceito, é preciso observar o contexto, o tom usado e a forma como a mulher é tratada durante a conversa.
O que significa mansplaining?
Mansplaining é uma palavra inglesa formada pela união de:
- Man, que significa homem;
- Explaining, que significa explicando.
Em uma tradução livre, seria algo como “homem explicando”. Entretanto, o termo não descreve qualquer explicação feita por um homem.
A palavra é utilizada quando um homem explica determinado assunto a uma mulher de maneira arrogante, paternalista ou excessivamente simplificada porque presume que ela não possui conhecimento suficiente.
O comportamento pode incluir:
- Explicar algo óbvio sem necessidade;
- Ignorar o conhecimento da mulher;
- Interrompê-la constantemente;
- Falar como se estivesse ensinando uma criança;
- Corrigir uma especialista sem dominar o tema;
- Repetir a mesma ideia que a mulher já apresentou;
- Duvidar da experiência dela sem uma razão concreta.
O problema não está apenas na explicação. Está na suposição automática de que o homem entende mais porque é homem ou de que a mulher precisa ser ensinada.
Como surgiu o termo mansplaining?
O conceito ganhou popularidade após a publicação, em 2008, de um ensaio da escritora norte-americana Rebecca Solnit.
No texto, posteriormente incluído no livro Os Homens Explicam Tudo para Mim, Solnit conta uma situação em que um homem tentou explicar um livro importante a ela. O detalhe é que ela própria era a autora da obra mencionada.
Embora Solnit não tenha criado diretamente a palavra “mansplaining” naquele ensaio, a situação descrita ajudou a popularizar a discussão sobre homens que presumem saber mais do que mulheres, mesmo sem conhecer a experiência ou as qualificações delas.
Com o crescimento das redes sociais, o termo passou a ser utilizado em diferentes países.
Exemplos de mansplaining
Algumas situações ajudam a entender melhor quando uma explicação pode ser considerada mansplaining.
No ambiente de trabalho
Uma engenheira apresenta um projeto técnico. Um colega que não participou do desenvolvimento interrompe a apresentação para explicar a ela conceitos básicos da própria área.
Ele não pergunta sobre sua experiência e não considera que ela seja a responsável pelo projeto.
Em uma conversa sobre saúde feminina
Uma mulher fala sobre os sintomas que sente durante o ciclo menstrual. Um homem sem formação na área afirma que ela está exagerando e tenta explicar como o corpo feminino “realmente funciona”.
Nesse caso, ele desconsidera tanto a experiência pessoal da mulher quanto a falta de conhecimento técnico dele.
Durante uma reunião
Uma profissional apresenta uma ideia, mas os colegas ignoram sua contribuição. Minutos depois, um homem repete praticamente a mesma proposta e passa a explicá-la ao grupo como se fosse uma descoberta própria.
Além de não reconhecer a contribuição anterior, ele pode tentar explicar a ideia para a própria pessoa que a apresentou.
Em uma conversa sobre a profissão dela
Uma advogada comenta sobre uma questão jurídica de sua especialidade. Um homem que leu algumas informações na internet começa a corrigi-la sem perguntar sobre sua formação ou experiência.
Ter uma opinião diferente não é o problema. A questão é a confiança excessiva acompanhada da desvalorização automática do conhecimento da profissional.
Ao dirigir
Uma mulher que dirige há anos recebe instruções constantes de um passageiro sobre como estacionar, trocar de faixa ou utilizar o carro, mesmo sem ter solicitado ajuda.
Se o passageiro parte da ideia de que ela provavelmente não sabe dirigir por ser mulher, o comportamento pode ser um exemplo de mansplaining.
Toda explicação de um homem para uma mulher é mansplaining?
Não. Um homem explicar algo a uma mulher não é automaticamente mansplaining.
Pessoas compartilham informações, ensinam umas às outras e possuem níveis diferentes de conhecimento. Um professor pode explicar um conteúdo a uma aluna, um técnico pode orientar uma cliente e um colega pode ajudar outra pessoa com uma tarefa.
Uma explicação comum geralmente considera:
- Se a outra pessoa pediu ajuda;
- Quanto ela já sabe sobre o assunto;
- Se existe abertura para a conversa;
- Se o tom utilizado é respeitoso;
- Se há disposição para ouvir;
- Se o conhecimento da outra pessoa é reconhecido.
O mansplaining aparece quando existe uma combinação de condescendência, presunção e desvalorização relacionada ao gênero.
Qual é a diferença entre mansplaining e discordar de uma mulher?
Discordar de uma mulher não é mansplaining.
Homens e mulheres podem ter opiniões diferentes e discutir ideias. Uma discordância respeitosa apresenta argumentos e reconhece que a outra pessoa também pode possuir informações relevantes.
A diferença está na maneira como a conversa acontece.
Em uma discordância normal, a pessoa pode dizer:
“Entendo seu ponto, mas interpretei os dados de outra forma.”
Em uma atitude condescendente, o homem pode agir como se a mulher fosse incapaz de compreender o assunto:
“Você só pensa assim porque não entende como isso funciona. Deixe que eu explique.”
Criticar qualquer discordância como mansplaining também enfraquece o significado do termo. O conceito deve ser usado para identificar um comportamento específico, não para impedir debates ou transformar toda diferença de opinião em uma acusação.
Mansplaining pode acontecer sem intenção?
Sim. Nem sempre o homem percebe que está sendo condescendente.
O comportamento pode surgir de hábitos sociais, excesso de confiança, dificuldade para ouvir ou suposições inconscientes sobre quem possui autoridade em determinado assunto.
A falta de intenção, entretanto, não significa que o comportamento não tenha impacto.
Se alguém aponta que está sendo interrompido, desconsiderado ou tratado como incapaz, a melhor reação é ouvir e avaliar a situação, em vez de responder imediatamente de maneira defensiva.
Por que o mansplaining é um problema?
Quando acontece repetidamente, esse comportamento pode fazer com que mulheres tenham suas competências questionadas e suas contribuições desvalorizadas.
No ambiente profissional, isso pode gerar consequências como:
- Menor participação em reuniões;
- Ideias ignoradas;
- Perda de reconhecimento;
- Dificuldade para exercer liderança;
- Insegurança para falar;
- Desgaste nas relações de trabalho;
- Reforço de estereótipos;
- Desvalorização da experiência profissional.
Não se trata apenas de uma conversa desagradável. Em determinados ambientes, interrupções e desqualificações constantes podem afetar oportunidades e a forma como uma profissional é vista pelos colegas.
Mansplaining acontece apenas no trabalho?
Não. O comportamento pode aparecer em praticamente qualquer espaço.
Ele pode acontecer:
- Em relacionamentos;
- Dentro da família;
- Em universidades;
- Nas redes sociais;
- Em debates políticos;
- Em consultas e atendimentos;
- Em conversas entre amigos;
- Em ambientes profissionais;
- Em comentários na internet.
Nas redes sociais, é comum que mulheres recebam explicações não solicitadas sobre assuntos relacionados às suas próprias profissões ou experiências pessoais.
Como saber se estou praticando mansplaining?
Antes de começar uma explicação, vale fazer algumas perguntas:
- A pessoa pediu que eu explicasse?
- Eu sei qual é a experiência dela sobre o assunto?
- Estou presumindo que ela não sabe apenas por ser mulher?
- Estou falando mais do que ouvindo?
- Estou interrompendo?
- Estou usando um tom que não usaria com um homem?
- Ela pode saber mais sobre isso do que eu?
- Estou tentando ajudar ou apenas demonstrar conhecimento?
Uma solução simples é perguntar:
“Você quer que eu explique como eu entendo isso?”
Outra possibilidade é reconhecer a experiência da pessoa antes de oferecer uma contribuição:
“Você trabalha diretamente com esse tema. Posso compartilhar uma informação que encontrei?”
Essas perguntas evitam suposições e tornam a conversa mais respeitosa.
Como reagir ao mansplaining?
A reação dependerá do ambiente e do nível de abertura da conversa.
Algumas respostas possíveis são:
- “Eu conheço esse assunto e trabalho com ele há vários anos.”
- “Você pode concluir depois que eu terminar meu raciocínio?”
- “Essa explicação não é necessária, mas agradeço a intenção.”
- “Eu fui responsável pelo projeto que você está explicando.”
- “Você perguntou qual é a minha experiência antes de concluir que eu não sabia?”
- “Podemos discutir ideias sem presumir que eu desconheço o tema?”
Em um ambiente profissional, também pode ser útil direcionar a conversa de volta ao ponto principal e registrar a autoria das contribuições.
Se o comportamento for frequente e prejudicar o trabalho, a pessoa pode conversar com a liderança ou procurar os canais internos adequados.
Como evitar o mansplaining?
Evitar o mansplaining não significa parar de explicar ou deixar de participar de conversas. Significa aprender a compartilhar conhecimento sem diminuir outras pessoas.
Algumas atitudes ajudam:
Pergunte antes de explicar
Descubra se a pessoa quer ajuda e quanto ela já conhece sobre o assunto.
Escute até o final
Não interrompa para apresentar uma explicação antes de compreender o que está sendo dito.
Reconheça a experiência da outra pessoa
Se ela possui formação ou experiência na área, considere essa informação antes de tentar corrigi-la.
Tenha cuidado com o tom
Uma explicação pode estar correta e ainda assim ser transmitida de maneira desrespeitosa.
Considere a possibilidade de estar errado
Confiança não é a mesma coisa que conhecimento. Antes de corrigir alguém, verifique suas próprias informações.
Observe se o comportamento muda conforme o gênero
Pergunte a si mesmo se utilizaria o mesmo tom e faria a mesma explicação caso estivesse conversando com outro homem.
Termos relacionados ao mansplaining
Outras expressões aparecem em debates sobre comunicação e desigualdade de gênero.
Manterrupting
É utilizado para descrever situações em que um homem interrompe repetidamente uma mulher enquanto ela fala.
Nem toda interrupção é motivada pelo gênero, mas o termo chama atenção para padrões nos quais mulheres têm maior dificuldade para concluir suas falas.
Bropriating
Acontece quando um homem se apropria de uma ideia apresentada por uma mulher e recebe o reconhecimento por ela.
Gaslighting
É uma forma de manipulação na qual alguém tenta fazer outra pessoa duvidar de sua memória, percepção ou compreensão da realidade.
Gaslighting e mansplaining não são sinônimos, embora possam aparecer juntos em algumas relações.
Mansplaining é uma expressão contra os homens?
O objetivo do termo não é afirmar que todos os homens agem dessa forma ou que somente homens podem ser arrogantes.
Qualquer pessoa pode interromper, desvalorizar ou explicar algo de maneira condescendente. A palavra mansplaining identifica um padrão específico relacionado à forma como algumas mulheres são tratadas por homens em razão de suposições sobre gênero e conhecimento.
O conceito é mais útil quando serve para melhorar a comunicação. Usá-lo como um insulto genérico ou para encerrar qualquer debate pode causar o efeito contrário e dificultar conversas honestas.
Conclusão
Mansplaining é uma explicação dada por um homem a uma mulher de maneira condescendente, baseada na suposição de que ela sabe menos sobre o assunto.
Nem toda explicação, correção ou discordância é mansplaining. Para identificar o comportamento, é necessário observar o contexto, o tom, a experiência das pessoas e a disposição para ouvir.
Uma comunicação respeitosa não exige silêncio. Exige reconhecer que a outra pessoa também possui conhecimentos, experiências e capacidade para participar da conversa em igualdade.
Perguntas frequentes
O que é mansplaining em português?
É quando um homem explica algo a uma mulher de maneira condescendente, presumindo que ela sabe menos, mesmo sem conhecer sua experiência.
Como se pronuncia mansplaining?
A pronúncia aproximada em português é “méns-plêi-ning”.
Toda explicação de homem é mansplaining?
Não. O termo se aplica a explicações condescendentes relacionadas à presunção de que a mulher é menos capaz ou informada.
Corrigir uma mulher é mansplaining?
Não necessariamente. Uma correção respeitosa e fundamentada não é mansplaining. O contexto e a forma como a pessoa é tratada fazem diferença.
Uma mulher pode praticar mansplaining?
Mulheres também podem ser condescendentes, mas o termo mansplaining foi criado para descrever um padrão específico envolvendo homens que presumem saber mais do que mulheres por causa do gênero.


