Os melhores momentos da segunda temporada de One Piece — a série. Quando a primeira temporada do live-action de One Piece chegou à Netflix em agosto de 2023, ninguém sabia muito bem o que esperar. O histórico de adaptações do gênero era pior do que a Grande Linha em dia de nevasca. Mas a série surpreendeu — e como. Dois anos e meio depois, com os oito episódios de One Piece: Into the Grand Line disponíveis desde 10 de março de 2026, a segunda temporada não apenas confirma o que a primeira prometia: ela eleva o nível em praticamente tudo.
A temporada percorre cinco arcos do mangá de Eiichiro Oda — Loguetown, Reverse Mountain, Whisky Peak, Little Garden e Drum Island — e cada parada tem pelo menos um momento que justifica a viagem inteira. Abaixo, os mais marcantes.
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A despedida em Loguetown: quando o passado e o futuro se encontram no cadafalso

A série começa exatamente onde deveria: no local de nascimento e execução do Rei dos Piratas, Gol D. Roger. Loguetown não é apenas uma cidade — é o ponto simbólico onde o sonho de Luffy deixa de ser abstrato e se torna uma promessa feita ao mundo. A cena no cadafalso, com Iñaki Godoy carregando no olhar toda a mistura de reverência e determinação que define Luffy, funciona como uma abertura de temporada que raramente se vê em produções de entretenimento popular.
O que a série faz bem aqui é não transformar o momento em discurso motivacional. Luffy sobe no cadafalso, sente o peso daquele lugar, e o espectador entende tudo sem precisar de uma narração explicando o óbvio. Para quem conhece o mangá, é emocionante. Para quem não conhece, é intrigante o suficiente para prender a atenção nas próximas horas.
Laboon e a promessa de Brook: o coração da Grand Line antes mesmo de entrar nela

O episódio “Good Whale Hunting” resolve um problema que qualquer adaptação teria: como transformar uma baleia gigante que espera décadas por amigos que nunca voltam em algo emocionalmente palpável para um público de live-action. A resposta da série é ir direto ao núcleo da cena — a solidão de Laboon e o peso de uma promessa não cumprida — sem depender exclusivamente do visual do animal.
O que surpreende é a decisão de usar o encontro com Laboon como introdução ao tema que vai atravessar toda a temporada: o peso de pertencer a algum lugar, de ter um grupo que não te abandona. Isso ressoa diretamente no arco de Chopper mais à frente, e a temporada é inteligente ao plantar essa semente logo de saída.
Zoro contra 100 agentes em Whisky Peak: a cena de ação mais ambiciosa da série até hoje

Se havia uma sequência de combate que os fãs do mangá mais queriam ver em live-action, era essa. Whisky Peak parece, à primeira vista, uma cidadezinha hospitaleira no meio da Grande Linha — mas rapidamente se revela uma armadilha elaborada da Baroque Works. E quando Zoro descobre que a cidade inteira é formada por agentes treinados, a resposta dele é exatamente o que você espera do personagem: enfrenta todos.
Mackenyu entrega aqui a melhor performance física da série. A coreografia da batalha equilibra o absurdo necessário para fazer sentido com o estilo exagerado de One Piece sem escorregar para o território de caricatura. É uma das cenas mais comentadas da temporada — e merece cada comentário. A decisão de dar a Zoro um arco emocional paralelo, lidando com as sequelas psicológicas da derrota para Mihawk, torna o triunfo em Whisky Peak mais do que apenas espetáculo.
Little Garden e os dois gigantes: quando a série abraça o absurdo de Oda sem pedir desculpa

Uma das maiores armadilhas de adaptar One Piece para live-action é a tentação de “normalizar” o que é assumidamente estranho na fonte. Little Garden — uma ilha presa na era pré-histórica, habitada por dinossauros e dois gigantes que carregam uma rivalidade centenária — poderia facilmente virar algo genérico nas mãos erradas.
A série não faz isso. Os gigantes Dorry e Brogy têm presença física e emocional que funciona, e a honra com que eles travam uma briga que já perdeu o sentido original vira, surpreendentemente, uma das passagens mais tocantes do episódio “Big Trouble in Little Garden”. Os efeitos visuais para as criaturas pré-históricas também marcam um salto em relação à primeira temporada — evidência clara de que o orçamento cresceu junto com a confiança da Netflix no projeto.
A chegada de Chopper: o personagem mais difícil de adaptar, executado com acerto

Tony Tony Chopper é um problema técnico e narrativo de primeira ordem. É uma rena que comeu uma Akuma no Mi, fala, tem múltiplas formas de transformação, e carrega um dos backstories mais pesados do mangá. Em CGI, com captura de movimentos e voz, o personagem demoraria menos de dez minutos para quebrar a suspensão de descrença de qualquer espectador cético.
Não quebra. Chopper funciona — e em alguns momentos vai além disso. O segredo está na decisão de ancorá-lo emocionalmente antes de qualquer coisa. O episódio “Reindeer Shames”, o mais bem avaliado da temporada no IMDb, dedica tempo generoso ao passado de Chopper e à sua relação com o Dr. Hiriluk. Quando as lágrimas chegam, elas chegam de verdade — e isso é raro numa série de ação e aventura com esse nível de excentricidade visual.
O arco de Drum Island: a melhor sequência emocional da série até agora

Os últimos dois episódios da temporada formam o pico emocional não só dessa temporada, mas de toda a série live-action até o momento. Drum Island é um reino tomado por um rei covarde, com uma população que perdeu seus médicos e espera por alguém que cuide dela. É o cenário perfeito para apresentar Chopper ao grupo e mostrar o que os Chapéus de Palha fazem quando alguém precisa de ajuda: ficam.
A Dra. Kureha ancora o arco como uma personagem que poderia facilmente ser exagerada demais para a tela e, em vez disso, rouba todas as cenas em que aparece. O confronto final com Wapol tem o peso certo — não é apenas uma batalha de ação, mas a resolução de uma história sobre pertencimento, que é o tema central dessa temporada inteira.
O que a segunda temporada diz sobre a série como um todo
Com a renovação para a terceira temporada confirmada e as filmagens já em andamento, One Piece se consolida como uma das adaptações de anime para live-action mais bem-sucedidas já produzidas. Isso não é afirmação fácil — é o resultado de uma série que entende que respeitar o material original não significa copiar cada painel, mas preservar o que faz aquele material funcionar emocionalmente.
A química entre Iñaki Godoy, Emily Rudd, Mackenyu, Jacob Romero e Taz Skylar amadureceu. Os personagens já foram apresentados — agora a série pode mostrá-los como família, e esse é um salto qualitativo enorme. O que a segunda temporada faz bem, acima de tudo, é tratar os espectadores como pessoas capazes de se importar com uma rena falante, dois gigantes guerreiros e um menino que quer ser o Rei dos Piratas. E o público responde a isso.
One Piece: Into the Grand Line está disponível na Netflix. Todos os oito episódios foram lançados simultaneamente em 10 de março de 2026.

