Todos os Filmes Pokémon dos Anos 2000: Do Primeiro Choro ao Último Frame

Todos os Filmes Pokémon dos Anos 2000. Existe uma geração inteira que entrou em sala de cinema sem saber que ia sair com o olho inchado. Os filmes Pokémon dos anos 2000 não eram só entretenimento — eram eventos. A gente fazia fila, comprava pipoca com a mão tremendo, e ainda saía com um card exclusivo que depois ficava embaçado de tanto manusear.

Mas quantos filmes foram esses? O que cada um trazia de diferente? E qual deles, seja honesto, você lembra de verdade?

Essa é a lista completa, filme a filme, com o contexto que cada um merece.

1. Pokémon: O Filme (1998 no Japão / 1999 no Brasil)

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Tecnicamente nasceu em 98, mas chegou ao Brasil em 1999 — então entra na conta desta geração.

Mewtwo contra Mew. A batalha que ninguém esperava e todo mundo lembra até hoje. O que poucos sabem é que a versão original japonesa tem uma trilha sonora e um tom completamente diferentes da versão ocidental. O Mewtwo brasileiro é mais agressivo, mais vilão. O japonês é filosófico, quase melancólico.

A cena em que o Ash vira pedra e o Pikachu começa a bater a patinha nele ainda é, décadas depois, uma das sequências mais devastadoras já colocadas num filme voltado para crianças. Não tem trilha sonora nesse momento. Só o barulho das patadas. Foi intencional.

O filme foi um fenômeno comercial nos Estados Unidos — segundo maior arrecadador de anime fora do Japão até aquele ponto. No Brasil, gerou filas que dobravam o quarteirão.

2. Pokémon 2000: O Poder de Um (2000)

Todos os Filmes Pokémon dos Anos 2000
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Lugia. Se você tinha menos de dez anos nessa época, Lugia era Deus.

O segundo filme elevou a escala: três pássaros lendários — Articuno, Zapdos e Moltres — em conflito, com o equilíbrio do mundo dependendo de um “Escolhido”. A narrativa mitológica funcionou porque não tentou competir com o primeiro. Em vez de um vilão psicológico como Mewtwo, o antagonista aqui é simplesmente um colecionador obcecado — banal demais para ser ameaçador, o que na verdade deixa Lugia e os pássaros como verdadeiros protagonistas.

A trilha composta por John Loeffler tem uma música específica, “The Legend Comes to Life”, que foi tema de abertura de apresentações escolares em pelo menos metade das escolas públicas do Brasil em 2001. Se você nega, está mentindo.

3. Pokémon 3: O Feitiço dos Unown (2001)

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O mais perturbador dos três primeiros. Ponto.

Molly Hale é uma criança que perde o pai e usa os Unown para construir uma realidade alternativa onde tudo — inclusive um Charizard e uma versão falsa de Delia Ketchum, a mãe do Ash — é feito de cristal. O filme fala sobre luto infantil de um jeito que nenhum adulto responsável por crianças de seis anos estava preparado para discutir na saída do cinema.

Entei aparece como figura paterna substituta criada pela imaginação da menina. Isso não é interpretação — é o que o roteiro diz explicitamente. Pra um filme de Pokémon, é cinematograficamente corajoso.

A animação aqui é visivelmente mais elaborada que os anteriores. O castelo de cristal em expansão constante foi o set piece mais caro que a série havia produzido até então.

4. Pokémon 4Ever: Celebi, a Voz da Floresta (2001 no Japão / 2002 no Brasil)

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Todos os Filmes Pokémon dos Anos 2000 – Imagem: JustWatch

O primeiro filme com viagem no tempo como mecânica central. Um garoto chamado Sam encontra Celebi em uma floresta no passado e os dois pulam décadas para o presente, onde Ash e companhia precisam proteger o Pokémon mítico de um caçador.

O twist que muitos assistiram sem processar: Sam é o avô do Ash. Isso nunca é confirmado com todas as letras, mas os nomes batem, a descrição física bate, e o roteiro deixa claro o suficiente para quem presta atenção.

O filme é mais lento que os anteriores e foi o de pior desempenho comercial até aquele ponto. Mas a cena final de Celebi morrendo e sendo revivido pelos espíritos da floresta ainda carrega uma beleza visual que envelheceu melhor que boa parte da animação da época.

5. Pokémon Heroes: Latios e Latias (2002 no Japão / 2003 no Brasil)

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Único da série ambientado em uma cidade claramente inspirada em Veneza — canais, gôndolas, arquitetura italiana. Uma escolha de direção de arte incomum que dá ao filme uma identidade visual que nenhum outro da franquia tem.

Latios morre no final. Não tem ressurreição. Não tem loop temporal. Ele morre de verdade para salvar a cidade, e a cena é tratada com seriedade absoluta. É o único filme Pokémon dos anos 2000 em que uma morte principal não é revertida.

Existe uma cena onde Latias beija Ash — ou pelo menos aparece como Bianca e o beija — e essa ambiguidade virou lenda de internet durante anos. O roteiro nunca esclarece se foi a humana ou o Pokémon.

6. Jirachi: Realizador de Desejos (2003 no Japão / 2004 no Brasil)

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Pokémon Blast News

O primeiro filme a parecer feito especificamente para crianças menores. O tom é mais leve, o conflito menos denso, e o vilão — um cientista que quer usar Jirachi para invocar Groudon — não amedronta ninguém acima de oito anos.

O que salva o filme é a relação entre Max, irmão mais novo da May, e Jirachi. É genuinamente afetiva, e a despedida final tem um cuidado emocional que contrasta com o restante do roteiro, que é bastante mediano.

Butler, o vilão, tem um design visual interessante — circense, exótico — mas é subaproveitado em termos de motivação.

7. Destiny Deoxys (2004 no Japão / 2005 no Brasil)

Todos os Filmes Pokémon dos Anos 2000 – Imagem: MUBI

Deoxys contra Rayquaza em uma cidade futurista tomada por robôs de defesa. Visualmente é o mais ambicioso dos filmes dos anos 2000 em termos de ação — as sequências de batalha aérea têm uma fluidez que claramente usou referências de animação ocidental.

O filme trata de identidade: Deoxys não é um vilão, é um ser procurando por um amigo. A narrativa paralela de Tory, um garoto com trauma de Pokémon selvagem, serve de espelho para o Pokémon alienígena que também perdeu algo fundamental.

Tecnicamente, Destiny Deoxys encerra a era dos filmes “grandes” da franquia. A partir do próximo, a produção começa a cair visivelmente em escala e ambição.

8. Lucario e o Mistério de Mew (2005 no Japão / lançamento ocidental tardio)

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Adoro Cinema

Rigorosamente o último do ciclo de ouro, e alguns diriam que é o melhor deles todos.

Lucario carrega a memória de um treinador morto há séculos, foi selado em um cajado, e acorda em um mundo onde o homem que ele considerava um traidor foi celebrado como herói. O arco emocional dele é o de alguém que precisa reaprender a confiar — e a sequência em que ele finalmente entende o que aconteceu é uma das cenas mais bem escritas de toda a franquia animada.

Ash quase morre de verdade. Lucario literalmente morre. A árvore da vida é destruída e reconstruída. Para um filme infantil de 2005, Lucario e o Mistério de Mew não tinha medo de nada.

O que esses filmes tinham que os seguintes perderam?

Risco emocional. Os roteiristas dos anos 2000 apostavam em mortes, separações, traumas e luto sem garantir que tudo seria resolvido de forma arrumada. O público criança aguenta muito mais do que se imagina — e os filmes Pokémon desse período provaram isso toda semana nas bilheterias do mundo inteiro.

A partir de 2006, a franquia começou a produzir filmes mais seguros, mais fórmula, menos dispostos a machucar. Eles ainda existem, ainda têm seus fãs. Mas aquela sensação de entrar na sala e não saber se ia sair chorando foi embora junto com os anos 2000.

E a gente sente falta.

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