Um tipo de vitamina B3 pode tratar a dor crônica relacionada à inflamação

A dor crônica relacionada à inflamação é um problema debilitante que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Encontrar tratamentos eficazes para aliviar essa dor tem sido um desafio constante na área da saúde.

Recentemente, uma pesquisa intrigante revelou que uma variante da vitamina B3, a nicotinamida ribosídeo, pode desempenhar um papel significativo na redução da dor crônica, abrindo novas perspectivas de tratamento para pacientes que sofrem com esse problema.

A Relação Entre Inflamação e Dor Crônica

A inflamação é a resposta inicial do corpo a lesões e patógenos, desempenhando um papel crucial no desencadeamento da dor. No entanto, muitas pessoas continuam a sentir dor mesmo após o desaparecimento da inflamação, e compreender o porquê disso acontece tem sido um enigma. Para investigar essa questão, Niels Eijkelkamp, da Universidade de Utrecht, na Holanda, e sua equipe, exploraram o impacto da inflamação nas mitocôndrias – as usinas de energia das células. Estudos anteriores já haviam relacionado a dor crônica a disfunções mitocondriais, particularmente em células nervosas especializadas conhecidas como neurônios sensoriais, que detectam alterações no ambiente.

Resultados Surpreendentes

Os pesquisadores conduziram experimentos em 15 camundongos, injetando uma substância que induz a inflamação nas patas traseiras dos animais. Posteriormente, mediram o consumo de oxigênio pelas mitocôndrias nos neurônios sensoriais dos camundongos, como um indicador da função mitocondrial.

Surpreendentemente, uma semana após o desaparecimento da inflamação, as mitocôndrias estavam consumindo consideravelmente mais oxigênio do que antes da injeção, sugerindo que a inflamação havia causado mudanças duradouras em sua função. Experimentos adicionais estabeleceram uma correlação entre essas mudanças mitocondriais e uma maior sensibilidade à dor nos roedores, mesmo após a inflamação ter sido resolvida.

O Papel da Nicotinamida ribosídeo

Em seguida, os pesquisadores analisaram os metabólitos – subprodutos moleculares de reações químicas – dentro das mitocôndrias dos animais, comparando-os com os camundongos que não haviam sido submetidos à inflamação induzida.

Ficou evidente que, após o desaparecimento da inflamação, os camundongos apresentaram níveis inferiores de nicotinamida ribosídeo em suas mitocôndrias de neurônios sensoriais, uma forma crucial de vitamina B3 para a função mitocondrial.

Resultados Promissores

Para testar ainda mais essa descoberta, um grupo adicional de 12 camundongos foi submetido à indução de inflamação. Desta vez, metade desses camundongos recebeu uma dose elevada de nicotinamida ribosídeo – 500 miligramas por quilograma de peso corporal, em comparação com a quantidade diária recomendada de 14 a 16 miligramas de vitamina B3 para a maioria dos adultos.

Os resultados foram notáveis: os camundongos que receberam o suplemento de nicotinamida ribosídeo demonstraram uma menor sensibilidade à dor, medido pelo tempo que levavam para retirar a pata do calor. Esses resultados sugerem que a nicotinamida ribosídeo pode efetivamente aliviar a dor crônica. No entanto, é importante ressaltar que esta pesquisa ainda está em estágio inicial e se baseia em estudos com camundongos.

A Necessidade de Ensaios Clínicos

É fundamental ressaltar que antes de considerar a nicotinamida ribosídeo como uma solução para a dor crônica em seres humanos, são necessários ensaios clínicos para avaliar sua eficácia e segurança. O pesquisador Niels Eijkelkamp adverte que ainda há muitos desafios a serem superados antes que essa abordagem possa ser amplamente adotada.

Considerações Específicas da Aplicação

Além disso, as descobertas atuais provavelmente se aplicam a tipos específicos de dor crônica, como aquelas relacionadas a doenças inflamatórias crônicas. Por exemplo, mais de 20% das pessoas com artrite reumatoide continuam a sentir dor, mesmo quando os níveis de inflamação estão baixos.

Portanto, essa abordagem pode ter o potencial de beneficiar principalmente esse grupo demográfico, e é necessário mais pesquisa para determinar sua eficácia em outros tipos de dor crônica.

Conclusão

Em conclusão, a pesquisa sobre a nicotinamida ribosídeo e sua relação com a função mitocondrial abre uma janela de esperança no tratamento da dor crônica relacionada à inflamação.

Embora haja muito a ser investigado e confirmado, esses resultados iniciais apontam para a possibilidade de uma solução inovadora que poderia melhorar a qualidade de vida daqueles que enfrentam a dor crônica.

No entanto, é importante manter a prudência e aguardar estudos clínicos adicionais para validar essas descobertas e determinar sua aplicabilidade em pacientes humanos. A pesquisa está caminhando na direção certa, mas ainda há muito a ser explorado antes de tirar conclusões definitivas sobre o potencial terapêutico da nicotinamida ribosídeo.

Referência do artigo:

Medicina de relatórios celulares: DOI: 10.1016/j.xcrm.2023.101265

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