Primeira onda de frio do inverno deve atingir grande parte do Brasil a partir do dia 22

Primeira onda de frio do inverno deve atingir grande parte do Brasil. Uma massa de ar polar de grande abrangência começa a se movimentar pelo interior da América do Sul e vai derrubar as temperaturas em estados das cinco regiões do país nos primeiros dias do inverno de 2026. O fenômeno, confirmado pela meteorologista Josélia Pegorim, do Climatempo, representa a entrada mais intensa e abrangente de ar frio desde o início do ano — e vai muito além do que o sul do Brasil costuma enfrentar nesta época.

O inverno começa oficialmente em 21 de junho, às 5h24 (horário de Brasília), no momento do solstício. Mas o frio não vai esperar a data no calendário.

Como a massa de ar polar vai avançar pelo país

O resfriamento começa a ser sentido a partir do dia 22 de junho, primeiro nos estados do Sul, em partes de Mato Grosso do Sul e no interior de São Paulo. É o avanço inicial da massa polar, ainda sem o peso total do seu núcleo.

A virada mais brusca acontece a partir do dia 24, quando o centro da massa de ar frio — a região de temperatura mais baixa e pressão mais alta — chega ao norte da Argentina e ao Paraguai. A partir daí, o ar gelado começa a marchar pelo interior do Brasil com velocidade e intensidade acima do normal.

“É nesta situação que o ar gelado consegue avançar com maior abrangência e maior intensidade sobre o Brasil”, explicou Josélia Pegorim.

Esse tipo de massa tem origem na Antártica. Quando o núcleo polar se desloca pelo interior do continente, em vez de seguir pela costa, ele consegue romper as barreiras de ar quente tropical e avançar muito além dos estados sulistas — chegando a regiões que raramente sentem esse tipo de impacto.

Quais estados vão sentir mais frio

Sul do Brasil: risco de temperaturas negativas e geada

Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná entram em estado de alerta. Os termômetros devem cair abaixo de zero em diversas localidades, com geada de forte intensidade prevista para a maior parte do período. Nas regiões mais altas, como a Serra Gaúcha e o Planalto Sul Catarinense, há possibilidade de precipitação invernal — chuva congelada ou neve — em altitudes acima de 1.500 metros.

Agricultores da região já foram alertados pelo Inmet para redobrar atenção: geadas fortes causam danos severos a culturas sensíveis ao frio, especialmente quando ocorrem em sequência.

São Paulo e Centro-Oeste: mínimas entre 0°C e 10°C

O interior paulista e áreas do Mato Grosso do Sul devem registrar temperaturas entre 0°C e 5°C nas madrugadas mais frias. Em Mato Grosso, Goiás, Rio de Janeiro e Minas Gerais, as mínimas devem variar entre 10°C e 15°C — o que representa uma queda expressiva em estados acostumados ao calor quase constante durante o outono.

Norte do Brasil: a friagem chega ao Acre, Rondônia e Amazonas

Um dos aspectos mais chamativo deste evento é a projeção de friagem intensa no Norte do país. Acre, Rondônia e o sul do Amazonas devem sentir os efeitos da massa polar de maneira direta. Esse fenômeno — a friagem — ocorre justamente quando o núcleo do ar polar avança pelo interior do continente, derrubando as temperaturas em uma região que raramente experimenta frio desta magnitude.

Estados como Rondônia e Acre podem registrar marcas históricas para a época, algo que coloca em perspectiva o tamanho desta onda de frio.

Primeira onda de frio do inverno deve atingir grande parte do Brasil
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Por que este inverno pode surpreender

Apesar das projeções para o El Niño 2026 indicarem um inverno globalmente menos rigoroso do que o de 2025, o comportamento da atmosfera no fim de junho aponta na direção contrária. Segundo o Climatempo, a segunda frente fria de junho — que deve ocorrer na última semana do mês, justamente nos primeiros dias do inverno — é a mais intensa prevista para todo o mês.

O El Niño, ainda em desenvolvimento no Oceano Pacífico Equatorial, tem impacto maior em julho e agosto, quando as temperaturas no centro-sul tendem a ficar acima da média. Mas antes disso, as massas polares continuam atuando com força, e este episódio de final de junho é a prova disso.

Há outro fator que amplifica a sensação de frio mesmo sem recordes absolutos nos termômetros: quando o ar polar chega após um período de calor prolongado, o contraste térmico é sentido com muito mais intensidade pelo corpo. A mudança rápida de temperatura — em questão de horas — é suficiente para impactar a saúde, especialmente de idosos, crianças e pessoas com doenças respiratórias.

O que fazer durante a onda de frio

Algumas precauções práticas fazem diferença neste tipo de evento:

Saúde: Manter agasalhos acessíveis, especialmente nas madrugadas e nas primeiras horas da manhã, quando as temperaturas atingem o pico mais baixo. Pessoas com hipertensão devem ter atenção redobrada, já que o frio causa vasoconstrição e pode elevar a pressão arterial.

Agricultores: Monitorar as previsões de geada com acompanhamento direto do Inmet e da Embrapa. Cobertura de culturas sensíveis e irrigação preventiva são medidas recomendadas para reduzir perdas.

Trânsito: Em regiões serranas com possibilidade de geada, as pistas molhadas na madrugada podem congelar. Redução de velocidade e atenção redobrada ao pavimento são essenciais, principalmente em rodovias do Sul.

Animais: Pets e animais de criação também sofrem com quedas bruscas de temperatura. Abrigos adequados e acesso a água (que pode congelar em algumas áreas) precisam ser verificados antes do pior período do frio.

Quando o frio começa a ceder

A tendência é de que o núcleo da massa polar se desloque em direção ao Oceano Atlântico ainda durante a última semana de junho. Com esse afastamento, as temperaturas sobem rapidamente nas tardes, mas as madrugadas ainda permanecem frias por alguns dias. O padrão de inverno seco e noites geladas deve se estender ao longo de julho, ainda que com menor intensidade do que neste primeiro episódio.

Quem mora no Sul sabe: o frio não avisa com educação. Avisa com vento, céu limpo e uma madrugada que parece mais longa do que deveria. E este fim de junho vai lembrar a muita gente — até no Acre — que o inverno brasileiro tem mais força do que parece no papel.

Informações baseadas em dados do Climatempo, Inmet e CNN Brasil. Atualizado em 16 de junho de 2026.

Imagem do topo: Climatempo

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