High School DxD é uma obra de arte? Sim, e eu explico por quê

Vou começar com uma confissão. Na primeira vez que ouvi falar de High School DxD, eu tinha certeza de que era só mais um anime bobo cheio de fanservice. Um amigo insistiu tanto que eu assistisse que acabei cedendo, só para provar que eu estava certo. Perdi a aposta comigo mesmo já no primeiro episódio, e no fim da primeira temporada eu estava dizendo que ele tinha razão.

Hoje eu defendo sem medo: High School DxD é uma obra de arte. Não uma obra de arte no sentido de filme de festival, mas no sentido de algo feito com paixão, identidade forte e um tipo de coragem que pouca série tem. Deixa eu te mostrar meus motivos.

O que é High School DxD

High School DxD é baseado na série de light novels escrita por Ichiei Ishibumi, com ilustrações de Miyama-Zero. O anime foi produzido pelo estúdio TNK e ganhou quatro temporadas: a primeira em 2012, seguida por New, BorN e Hero.

A história acompanha Issei Hyoudou, um estudante do ensino médio que sonha em ter um harém e leva a vida como o adolescente mais pervertido da escola. Ele é morto logo no começo por um anjo caído, e é a herdeira do clã Gremory, Rias, quem o traz de volta à vida como um demônio, seu servo. A partir daí ele descobre que carrega em si um Sacred Gear lendário, a Boosted Gear, que abriga o espírito do dragão Ddraig.

Parece bobo? Parece. Mas é exatamente aí que a série engana quem julga pela capa.

Um mundo sobrenatural muito bem montado

O que mais me surpreendeu foi a construção do universo. A obra coloca anjos, anjos caídos e demônios em uma guerra fria depois de um conflito enorme que deixou todo mundo enfraquecido. Cada facção tem líderes, interesses políticos e problemas internos.

Sobre essa base, a história adiciona o sistema de Evil Pieces, inspirado no xadrez, que define como os demônios de alta classe recrutam seus servos. Existem os Rating Games, competições que funcionam como uma versão organizada das disputas entre clãs. E ainda entram deuses e criaturas de várias mitologias, como a nórdica, a grega e a japonesa.

Eu já vi muita série que usa mitologia como enfeite. Em DxD as regras são consistentes. Quando um personagem evolui, a obra explica de onde vem aquele poder, e quando alguém perde, quase sempre existe uma razão dentro das regras do próprio mundo. Isso dá uma sensação de solidez que sustenta as lutas mais épicas.

Issei é um protagonista de verdade

High School DxD é uma obra de arte? Sim, e eu explico por quê

Aqui está o ponto que mais me ganhou. Issei começa a série como piada ambulante, mas o que a história faz com ele ao longo dos anos é uma das melhores evoluções de protagonista que eu já acompanhei em anime de ação.

Ele é fraco no começo, e a série não esconde isso. Mas a característica que o define nunca é a perversão, e sim a teimosia. Ele não desiste, ele protege quem gosta, e ele chora sem vergonha nenhuma quando sente que falhou.

O melhor exemplo é a luta contra Riser Phenex, na primeira temporada. Issei sabe que não tem força suficiente, e a solução que ele encontra é entregar o próprio braço esquerdo para Ddraig em troca de poder temporário. É uma cena que me deixou parado na frente da tela. Ela mostra o tipo de herói que ele é: alguém que aceita pagar um preço absurdo para cumprir uma promessa.

Sempre que alguém me diz que DxD é só sobre peitos, eu penso nessa luta.

Personagens que crescem juntos

A série tem um elenco grande, e o mais bonito é que ninguém fica parado. Rias começa como a líder que carrega tudo sozinha e aprende a confiar no grupo. Asia, que aparece frágil e isolada, vira uma das pessoas mais fortes emocionalmente. Koneko, Akeno, Kiba e Xenovia têm seus passados tratados com peso real, cada um com feridas e conflitos que voltam depois.

O ponto forte é que esse elenco funciona como uma família. Não é aquela amizade forçada de anime de batalha. A gente sente que eles se importam uns com os outros, e por isso as cenas de perda e de vitória batem mais forte.

Outro ponto que eu gosto é a rivalidade entre Issei e Vali, o Hakuryuukou. Ela é construída ao longo de temporadas e nunca vira caricatura. Os dois lados têm motivação, e o confronto entre eles carrega o tipo de expectativa que a gente sente em rivalidades clássicas como Naruto e Sasuke.

A ação e a trilha sonora

Aqui vai uma opinião pessoal: DxD tem algumas das lutas mais divertidas de acompanhar entre os animes de fantasia moderna. Os poderes são visuais, cada Sacred Gear tem sua personalidade, e o sistema de Balance Breaker, em que o personagem alcança um novo estágio de poder, entrega sempre uma cena de virada satisfatória.

A trilha sonora completa o pacote. A música sabe quando crescer e quando ficar quieta, e isso ajuda muito nos momentos emocionais. Tem cena em que eu só lembro do som depois de muito tempo, e para mim isso é sinal de trilha bem feita.

O humor e o fanservice: o elefante na sala

Preciso ser honesto. High School DxD tem muito fanservice, e isso não é para todo mundo. Quem não gosta do estilo vai se incomodar, e eu entendo. Não vou fingir que a série não é o que é.

Mas eu discordo de quem usa isso para descartar a obra inteira. O fanservice é parte da identidade da série, e ela assume isso sem pedir desculpa. O humor exagerado funciona como contraste para os momentos pesados, e essa mistura de comédia absurda com drama sincero é justamente o que dá personalidade à obra.

Muita série tenta ser séria o tempo todo e acaba esquecida. DxD sabe rir de si mesma e, quando precisa, sabe partir o coração. Para mim isso mostra controle de tom.

Por que eu chamo de obra de arte

Arte, para mim, é quando alguém faz algo com identidade própria e entrega isso sem medo do que vão pensar. High School DxD faz isso do começo ao fim. Ela sabe o que quer ser, constrói um universo coerente, cria personagens que a gente aprende a amar e entrega momentos que ficam na memória.

Se você foi um dos que descartaram a série pelo primeiro episódio, como eu quase fiz, eu recomendo dar uma segunda chance. Assista até a luta contra Riser e depois me diga se ainda acha que é só fanservice.

Onde assistir e por onde começar

A ordem é simples: comece pela primeira temporada e siga por New, BorN e Hero. A disponibilidade muda conforme a plataforma e a região, então vale conferir os serviços de streaming que você usa para ver onde a série está no momento.

Conclusão

High School DxD é uma obra imperfeita, exagerada e muitas vezes provocativa, mas é também uma das séries mais sinceras e apaixonadas que já vi. Ela mostra que um anime pode ser divertido, emocionante e bem construído ao mesmo tempo.

E você, o que acha? Já assistiu, ou ainda está com o pé atrás? Conta nos comentários qual é a sua cena favorita e qual personagem mais te marcou.

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